Economia sob Lula será sem Posto Ipiranga, diz coordenador de campanha

Faltando meses para as eleições, ele não tem pressa em escolher sua equipe econômica, disse Wellington Dias em entrevista à Bloomberg News

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Bloomberg — Investidores ansiosos para saber quem estará no comando da maior economia da América Latina em um potencial governo de Luiz Inácio Lula da Silva terão que esperar e já podem descartar qualquer esperança de ver um ministro da Economia todo-poderoso, disse um de seus principais aliados.

Lula, que lidera as pesquisas para a votação de outubro, está sendo aconselhado por um grande grupo de economistas, incluindo vários ex-ministros, sem nenhum favorito claro por enquanto. Faltando meses para as eleições, ele não tem pressa em escolher sua equipe econômica, segundo um dos coordenadores da campanha, Wellington Dias.

Quem acabar no cargo dificilmente terá o mesmo escopo abrangente que Paulo Guedes possui hoje como chefe da Economia. Guedes, que foi apelidado pelo presidente Jair Bolsonaro de “Posto Ipiranga” para todos os assuntos econômicos, comanda o que costumavam ser três ministérios, o que lhe valeu o apelido de “super ministro”.

“Não haverá um Posto Ipiranga. O presidente Lula trabalha em equipe”, disse Dias durante entrevista por vídeo de São Paulo. “Seu governo será fruto de diálogo com os partidos e de um entendimento voltado à reconstrução do Brasil e ao fortalecimento das instituições.”

A ideia de que Lula é o responsável final por todas as decisões econômicas - como ele mesmo diz na campanha - e a ausência de um nome estrelado para liderar a economia não devem ser motivo de preocupação, segundo Dias.

Os governos anteriores de Lula são a prova de que ele não vai mergulhar na irresponsabilidade fiscal, disse ele, acrescentando que “ninguém pode questionar” a capacidade de Lula de ouvir e conversar com todos.

Uma lacuna geracional pode ser uma das razões pelas quais alguns investidores temem a eleição de Lula, de acordo com Dias, que recentemente renunciou ao cargo de governador do Piauí para concorrer ao Senado e ajudar na campanha de Lula.

O ex-presidente deixou o cargo há mais de 10 anos, diz ele, o que significa que há uma geração mais jovem que só ouviu falar, mas não vivenciou suas conquistas no combate à inflação e à pobreza.

“Há uma nova geração que não viveu no governo Lula”, disse Dias. “Nosso desafio é mostrar a eles que ele representa estabilidade, responsabilidade fiscal e respeito às instituições.”

O ex-presidente tem criticado a regra do teto de gastos, que limita o crescimento dos gastos públicos e é apreciada pelos investidores. Dias, junto com outros assessores de Lula, diz, no entanto, que a norma terá de ser revisada porque o país precisa aumentar o investimento público. Para ele, é viável ter meta de investimento e orçamento público equilibrado ao mesmo tempo.

O próprio Dias surgiu nos círculos políticos do Brasil como um nome em potencial para o Ministério da Economia de Lula - outros incluem o ex-presidente do banco central Henrique Meirelles, o senador Jaques Wagner e o empresário Josué Gomes. Quando perguntado se aceitaria o emprego, ele ri, oferecendo em vez disso a promessa de ser um “colaborador apaixonado” da campanha dos esquerdistas.

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