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Ações de mídia despencam mais de 50% em 2022, por quê?

Após boom causado pela pandemia e o isolamento, empresas de mídia devem passar por período turbulento à frente

Consumo de mídia online vem diminuindo ao passo que os gastos com produção aumentam
Por Lucas Shaw
03 de Maio, 2022 | 07:49 pm
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Bloomberg — “Está acontecendo alguma coisa boa?”, perguntou o analista Rich Greenfield na tarde de sexta-feira (29). “A publicidade está desmoronando. A transmissão diminuiu. Aponte um bom negócio neste momento.”

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É um momento desafiador para a maioria dos especialistas de Wall Street, especialmente aqueles como Greenfield, um analista perspicaz que confia em sua visão do futuro. O cofundador da LightShed Partners é um grande apoiador de empresas como Netflix (NFLX), Snap (SNAP) e Spotify (SPOT), e crítico das empresas de mídia tradicionais que resistem à transição para a internet.

Os investidores concordaram, comprando ações de empresas de mídia online e aprendendo novos truques.

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Mas, nos últimos meses, há certa tensão no setor de entretenimento e mídia. As ações da Netflix caíram mais de 60% até agora este ano, e o Spotify não está muito atrás (com queda de 57%). Acionistas de empresas outrora invencíveis como a Meta (FB) e a Alphabet (GOOGL) estão apreensivos, assim como os da Comcast (CMCSA) e da Roku (ROKU).

Enquanto o S&P 500 (SPX) caiu durante o ano, as empresas de tecnologia perderam US$ 1,8 trilhão em valor apenas em abril. A Amazon (AMZN) acaba de fechar seu pior mês em mais de 20 anos.

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Quedas das ações de empresas de mídia em 2022dfd

Analistas atribuem a queda das ações a uma confluência de eventos sem precedentes, começando com uma pandemia que alterou o comportamento humano de maneiras que ainda não entendemos.

Inicialmente, a pandemia causou um aumento no uso de mídia online, pois as pessoas confinadas usavam seu tempo livre para assistir a programas de TV, navegar no TikTok e fazer compras online. Isso impulsionou ações como Netflix, Spotify e Alphabet a recordes. Mas agora que o mundo vem abrindo novamente, as pessoas estão passando mais tempo fora de casa.

Hollywood celebrou as lutas de algumas dessas empresas de internet – especificamente a Netflix. Mas esse entusiasmo é equivocado. Suas lutas não estão se traduzindo em bons resultados para empresas mais antigas, como TV a cabo ou cinemas. A Comcast perdeu 512 mil assinantes de vídeo apenas no último trimestre, e as vendas de ingressos de cinema ainda caíram mais de 30% em comparação com antes da pandemia.

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Os principais beneficiários do nosso desejo comum de sair de casa são restaurantes, hotéis e companhias aéreas. As empresas de mídia que possuem parques temáticos, como a Comcast e a Disney (DIS), devem se beneficiar. Mas o preço das ações da Disney havia registrado queda de 28% este ano até o último pregão de abril.

Para a maioria dessas empresas, a situação vai piorar antes de melhorar. A inflação tornou muitos consumidores mais vulneráveis aos preços. O crescimento de assinantes para serviços de vídeo está diminuindo ao mesmo tempo em que os gastos com produção estão aumentando, disse o analista Michael Nathanson. A pandemia atrasou a produção de muitos programas que criavam a ilusão de melhores margens de lucro. No entanto, agora os custos voltaram a subir.

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A economia parece estar à beira de uma recessão. Os líderes corporativos descartaram a possibilidade de uma recessão porque a consideram prematura, argumentando que os gastos do consumidor continuam altos.

Mas toda essa incerteza dificulta para empresas, analistas e investidores preverem o futuro.

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É seguro supor que as pessoas continuarão consumindo mais mídia e comprando mais produtos online. Apesar de todo o hype sobre a queda do streaming, a quantidade de tempo que as pessoas passam transmitindo áudio e vídeo continua aumentando. Compras online não são uma moda passageira, e a publicidade não está voltando aos outdoors e ao rádio.

É mais difícil saber se os resultados financeiros decepcionantes de tantas empresas são temporários ou se é um sinal de que muitas dessas empresas entraram em uma fase mais madura. O YouTube pode continuar por aí, mas é menos atraente como investimento se ele crescer 14% em vez de 25% como foi há apenas alguns meses.

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O rápido crescimento da mídia online na última década deu início à era do conteúdo. Mais vídeos, áudios e mídias são produzidos e lançados todos os dias do que qualquer ser humano poderia acompanhar. Esse aumento na produção pareceu sustentável por tanto tempo que investimos mais e gastamos mais. Mas está começando a parecer que estamos entrando em uma nova fase.

--Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

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