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Ibovespa cai com techs após plano agressivo do Fed para conter inflação

After Hours: Preocupação com uma desaceleração econômica tomou conta dos mercados nesta quarta, levando a quedas de até 2,2% em Wall Street

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06 de Abril, 2022 | 05:30 PM
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Bloomberg Línea — A preocupação com uma desaceleração da economia global pesou sobre os mercados nesta quarta-feira (6), após o Federal Reserve divulgar seus planos de aumentar a velocidade do aperto monetário nos Estados Unidos para combater a inflação.

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Na ata da última reunião, divulgada nesta tarde, o banco central americano sinalizou que irá reduzir suas enormes participações em títulos a um ritmo máximo de US$ 95 bilhões por mês, apertando ainda mais o crédito em toda a economia à medida que a autoridade monetária aumenta as taxas de juros para esfriar a inflação mais alta em quatro décadas.

O documento também mostrou que “muitas” autoridades teriam preferido aumentar as taxas em meio ponto percentual – em vez do movimento de 0,25 ponto que fizeram – mas decidiram não fazê-lo à luz da invasão da Ucrânia pela Rússia.

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A divulgação contribuiu para ampliar as perdas das bolsas de Wall Street e do Ibovespa, no Brasil, que fechou o pregão em baixa de 0,55%, abaixo dos 119 mil pontos – no menor patamar em quase duas semanas. Já o dólar subiu, superando os R$ 4,70.

Segundo Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, a ata descarta qualquer ritmo cauteloso de alta dos juros nos EUA e indica um aumento de 50 pontos-base em maio. A avaliação é de que as taxas de juros devem chegar a uma faixa acima de 3%, maior do que o visto no último ciclo. Isso porque a ata deixa expresso que os dirigentes estão desconfortáveis com a direção da inflação e que o foco precisa estar em combater essa alta.

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“O anúncio do Fed tem impacto no mundo todo, uma vez que os ativos mais seguros do mundo vão pagar mais juros – então o custo de oportunidade fica maior no restante do globo, desincentivando o investimento em bolsas de valores e em dívidas de outros países, que terão que pagar taxas maiores”, destaca Cruz.

Também contribuía para o sentimento de maior aversão ao risco nesta quarta as novas sanções à Rússia, após alegações de assassinatos de civis em cidades ucranianas agora recapturadas das forças russas. Até o momento, comenta-se a intenção da União Europeia de proibir a importação de carvão mineral russo.

Na Bolsa brasileira, o pregão foi negativo em especial para empresas ligadas à tecnologia, mais sensíveis aos juros, como Banco Inter (BIDI11), Méliuz (CASH3) e Locaweb (LWSA3), que recuaram 8,70%, 8,33% e 8,03%, respectivamente, na B3.

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“O declínio das ações do Banco Inter pelo segundo dia consecutivo deriva do movimento de retração das cotações do mercado tech em Wall Street em meio a uma ata do Fed agressiva”, avalia Rob Correa, analista de investimentos CNPI. O índice da Nasdaq, nos EUA, que é pesado em tecnologia, recuou 2,2% nesta quarta.

A maior baixa do índice, contudo, veio de CVC Brasil (CVCB3), que recuou 8,97%, a R$ 15,73. Segundo Correa, o movimento acontece em meio à expectativa do mercado quanto à divulgação do IPCA na próxima sexta-feira (8). “Como o negócio da empresa de viagem é dependente de crédito, a precificação de uma inflação acima do esperado pressiona as ações para um patamar de queda”, diz.

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Já entre os poucos ganhos do Ibovespa estiveram as ações de Suzano Papel (SUZB3), com ganhos de 2,16%, a R$ 55,34, e de BB Seguridade (BBSE3), que subiu 0,94%, a R$ 25,76. Também subiram as ações da Vale (VALE3), com ganhos de 1,51%, a R$ 96,55.

Confira o fechamento dos mercados nesta quarta-feira (6):

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-- Com informações de Bloomberg News

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Mariana d'Ávila

Mariana d'Ávila

Redatora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.

Toni Sciarretta

Toni Sciarretta

News director da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista com mais de 20 anos de experiência na cobertura diária de finanças, mercados e empresas abertas. Trabalhou no Valor Econômico e na Folha de S.Paulo. Foi bolsista do programa de jornalismo da Universidade de Michigan.

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