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É hora de comprar ações de siderurgia, diz BBI; confira as preferidas

Pior ficou para trás, apontam analistas; há oportunidade de entrada diante de momento ‘make it or break it’ da economia chinesa

Bradesco BBI diz ver uma recuperação de 10% a 15% na demanda por aço na segunda metade do ano em relação ao primeiro semestre
30 de Maio, 2022 | 08:25 am

Bloomberg Línea — Após forte correção das ações de siderúrgicas da América Latina na bolsa, o cenário de retomada da economia chinesa no segundo semestre e de preços mais elevados de metais no curto prazo abre oportunidade para a entrada nos papéis. A avaliação é do Bradesco BBI, que diz ver o momento como favorável para posições táticas no setor, um dos preferidos de investidores em commodities.

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Em relatório publicado na última quarta-feira (25), o banco de investimento revela esperar uma recuperação de 10% a 15% na demanda por aço na segunda metade do ano em relação ao primeiro semestre, dada uma abordagem mais pragmática em relação à covid e medidas de estímulo na China, que devem impulsionar setores relacionados a metais, como infraestrutura, habitação e indústria.

É um momento decisivo para a economia chinesa - “make it or break it moment” -, apontam os analistas Thiago Lofiego, Isabella Vasconcelos e Camilla Barder, do Bradesco BBI.

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“Calculamos que as ações atualmente implicam uma queda de 30% a 35% nos preços dos metais já em 2022, com os produtores de aço e minério de ferro oferecendo as maiores assimetrias em relação aos nossos modelos e nomes de cobre”, escrevem os analistas.

Na Bolsa brasileira, as principais apostas do banco recaem sobre as ações de Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4), ambas com rating “outperform” (performance acima da média do mercado), em detrimento das mineradoras Vale (VALE3), CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3), já que o momento do preço do aço deve ser melhor que o do minério de ferro nesse ambiente.

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Confira as principais apostas do Bradesco BBI no setor:

Usiminas: o pior ficou para trás

O BBI tem rating “outperform” para as ações de Usiminas (USIM5). O banco, contudo, reduziu o preço-alvo para R$ 20 por ação, em razão de maiores custos de matéria-prima (principalmente carvão metalúrgico) e menores embarques (situação de produção de automóveis leva mais tempo para resolver). O valor implica potencial de alta de quase 80% em relação ao fechamento de sexta (26), a R$ 11,27.

No relatório, os analistas dizem já projetar uma queda de 20% nos preços do aço em 2023 e, ainda assim, a ação seguirá negociada a um múltiplo EV/EBITDA (valor da empresa sobre juros antes de impostos, depreciações e amortizações) esperado para 2023 de 2,2 vezes – o que é visto como “atrativo”. “A dinâmica dos lucros deve melhorar nos próximos trimestres, enquanto achamos que as ações estão subestimadas”, completa o time de análise.

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Gerdau: grandes dividendos à vista

O banco também tem recomendação “outperform” para as ações da Gerdau (GGBR4), embora tenha reduzido o preço-alvo esperado para R$ 40, incorporando tarifas de importação de aço mais baixas e um real mais valorizado. “De qualquer forma, estamos elevando nossas projeções de curto prazo (2022 e 2023), impulsionadas principalmente pelas operações nos Estados Unidos, que vêm apresentando margens impressionantes trimestre a trimestre”, escreve o time.

O BBI espera que as margens dos EUA normalizem de volta para a faixa de 10% a 15%, mas para este ano e parte do próximo, ainda são esperadas margens acima de 20%. “Em tal cenário, achamos que os dividendos terão que aumentar invariavelmente, principalmente porque a administração tem falado sobre alocação de capital estrita (sem grandes fusões e aquisições, sem grandes novos projetos além dos já anunciados). Dito isso, projetamos dividendos em torno de R$ 10 bilhões por ano em 2022 e 2023 (rendimento de 20%).”

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Vale: forte remuneração aos acionistas

Depois que os preços do minério de ferro permaneceram resilientes no primeiro semestre diante de oferta apertada, diminuição dos estoques e sólida produção de aço chinesa, o BBI manteve uma visão “taticamente positiva” nas ações da Vale (VALE3), estimando preço-alvo de R$ 117.

Na avaliação dos analistas, o ambiente de preço do minério de ferro acima da média deve continuar a sustentar uma geração de fluxo de caixa saudável de US$ 16 bilhões e US$ 12 bilhões em 2022 e em 2023 e se traduzir em uma forte remuneração aos acionistas de 22% do valor de mercado (dividendos + recompras).

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CSN e CSN Mineração: valuation “muito” atrativo

No relatório, divulgado na última quarta, o grupo de analistas diz continuar vendo um upside relevante para as ações de CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3), impulsionadas por uma perspectiva mais benigna para os preços de aço e minério de ferro no curto prazo, com preços-alvos de R$ 37 e R$ 7,40 por ação, respectivamente. Ambas as empresas têm recomendação “outperform”.

Em CSN Mineração, a justificativa é a de que os preços saudáveis do minério de ferro e a forte recuperação do volume nos próximos trimestres devem sustentar a geração de fluxo de caixa livre (12% de rendimento em 2022) e uma forte remuneração aos acionistas (entre 15% e 16% de rendimento de dividendos em 2022 e 2023).

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“Além disso, o Ebitda de aço da CSN também deve permanecer suportado por preços internacionais de aço acima da média, enquanto a inflação de custos tem sido menos pesada para a CSN em relação aos concorrentes”, escreve o BBI.

Por outro lado, incertezas sobre alocação de capital e inflação de CAPEX de expansão permanecem como pontos de interrogação, por isso o banco diz preferir exposição aos papéis de Usiminas e Gerdau no momento.

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CBA: momento interessante de ganhos

Por fim, para a Companhia Brasileira de Alumínio (CBAV3), o BBI tem recomendação “outperform” e preço-alvo estimado de R$ 25. “Esperamos que os preços do alumínio continuem se recuperando das baixas recentes à medida que a atividade econômica chinesa se recupere, enquanto os níveis de estoque globais permanecem em níveis gerais baixos, os prêmios regionais permanecem elevados e os altos preços de combustíveis/energia globalmente implicam em um alto suporte de preço para o alumínio”, escreve o time.

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Mariana d'Ávila

Mariana d'Ávila

Redatora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.

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