Eleições 2022

A missão de Alckmin para ajudar Lula a avançar no centro e frear Bolsonaro

Ex-tucano é peça fundamental para tentar minar apoios a Bolsonaro no Sudeste, em setores do empresariado e religiosos

A estratégia do PT para avançar no centro
08 de Abril, 2022 | 03:02 PM

Bloomberg Línea — Ex-governador de São Paulo e ex-adversário do PT na eleição de 2006, Geraldo Alckmin foi indicado nesta sexta-feira como o candidato a vice na chapa encabeçada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a eleição presidencial.

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“Nós vamos precisar da minha experiência e da experiência do Alckmin para reconstruir o país, conversando com toda a sociedade brasileira”, discursou Lula, ao lado do futuro vice.

“Já fui adversário do Alckmin, do [José] Serra, do Fernando Henrique Cardoso, e nunca nos desrespeitamos, nunca nos deixamos de nos tratar de forma civilizada”, afirmou.

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“Este dia é muito importante para mim, Alckmin. Tenho certeza que o PT vai aprovar o seu nome como candidato a vice”, declarou.

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POR QUE ISSO É IMPORTANTE: Trata-se de uma inflexão do PT para além da esquerda já que Alckmin, um político que fez carreira na centro-direita, com interlocução no empresariado, no agronegócio e em setores religiosos.

Segundo duas fontes com conhecimento das negociações, há uma expectativa de que o ex-governador comece a costurar apoios em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, em redutos tucanos.

Na eleição de 2018, com Lula fora da disputa por estar preso, o PT teve como cabeça de chapa o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) como vice, numa configuração mais à esquerda desde a chegada de Lula ao poder, em 2002.

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Em todas as eleições presidenciais vencidas pelo PT, o partido foi buscar fora de seu espectro político o candidato a vice. Foi assim com José Alencar (PL), vice de Lula em 2002 e 2006, e com Michel Temer (MDB), vice de Dilma em 2010 e 2014.

CONTEXTO: A união de antigos rivais visa quebrar uma regra não-escrita desde os anos 1990: desde a aprovação da emenda da reeleição em 1997, ainda no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), nunca um presidente no exercício do cargo perdeu a disputa por mais quatro anos no Planalto.

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Lula aparece como líder nas principais pesquisas de intenção de voto, mas a diferença sobre Jair Bolsonaro (PL) vem caindo significativamente nos últimos levantamentos.

No ato em que o PSB indicou Alckmin como vice de Lula, o petista prometeu a Alckmin e a seu novo partido (ele se filiou em março, após mais de três décadas no PSDB) espaço na campanha e nas discussões para composição de um novo governo.

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“Antes disso a gente vai ter de combinar como ganhar as eleições”, disse Lula.

“Essa chapa aqui, se for formalizada, não é só para disputar as eleições. Talvez ganhar as eleições seja mais fácil que a tarefa que teremos pela frente para recuperar esse país”, afirmou.

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Graciliano Rocha

Graciliano Rocha

Editor da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista formado pela UFMS. Foi correspondente internacional (2012-2015), cobriu Operação Lava Jato e foi um dos vencedores do Prêmio Petrobras de Jornalismo em 2018. É autor do livro "Irmã Dulce, a Santa dos Pobres" (Planeta), que figurou nas principais listas de best-sellers em 2019.

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