Mercados

Balanços de techs injetam ânimo aos mercados, que avançam nos EUA e na Europa

Investidores estão atentos também à divulgação do PIB nos EUA e a indicadores de inflação e de confiança do consumidor europeu

As variáveis que orientarão os mercados
28 de Abril, 2022 | 08:23 AM

Barcelona, Espanha — Os principais catalisadores de hoje nos mercados são os balanços empresariais, que vêm injetando ânimo na maioria dos casos, e de dados macroeconômicos como o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos e indicadores de inflação e de confiança na Europa.

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Esta manhã, os futuros de índices nos EUA sinalizavam uma jornada positiva, sobretudo para os contratos atrelados ao Nasdaq, que saltavam mais de 2% graças aos ganhos da Meta. Carro-chefe do grupo, o Facebook adicionou no primeiro trimestre mais usuários do que o projetado, aliviando as preocupações de que a empresa esteja perdendo usuários para sites mais jovens como o TikTok.

As ações da controladora do Facebook dispararam até 19% nas operações prévias à abertura das bolsas, alimentando os ganhos dos futuros de Nasdaq 100, que interromperam um declínio de dois dias e superaram os 2% de alta esta manhã. A Meta tem um peso de 3% no Nasdaq 100 e de 1,1% no S&P 500, cujos contratos subiam em torno de 1,5%.

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O pré-mercado também recebia o impulso dos papéis da PayPal Holdings Inc., que tiveram receitas melhores do que o esperado neste primeiro trimestre, e da Qualcomm Inc. “Ironicamente, quanto melhor for o pano de fundo dos ganhos corporativos, menor será o risco de recessão econômica, de modo que o Fed pode aumentar as taxas de juros forma mais agressiva”, disse Roger Lee, um estrategista da Investec, segundo a Bloomberg. “Paradoxalmente, boas notícias corporativas podem ser, em última análise, más notícias para o mercado.”

A promessa da China de apoiar sua economia e promover o crescimento das empresas de plataforma de internet também dava sustentação ao mercado acionário em todo o mundo.

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Os bônus do Tesouro norte-americano indicavam uma pequena recuperação, com o rendimento de referência de 10 anos caindo três pontos base para negociar em torno de 2,8%. Já o petróleo, que no começo da manhã subiu em torno de US$ 102 por barril tipo West Texas Intermediate, há pouco mudava o sinal. Os preços do petróleo bruto lutaram por uma direção esta semana, já que o surto de vírus que se espalhou pela China continuou a pesar sobre as perspectivas da demanda global.

📊 Safra de números

Hoje, nos EUA, há balanços de gigantes como Apple, Amazon e Mastercard. Na Europa, quase 70 empresas devem publicar resultados: cerca de 61% das companhias que reportaram seus números até o momento bateram as estimativas, segundo a Bloomberg, citando a corretora Sanford C. Bernstein.

O rali matinal de hoje representa um alívio em uma semana preocupações de distintas naturezas. Uma delas é o impacto dos lockdowns na China sobre as cadeias de abastecimento. A guerra da Rússia na Ucrânia e o impasse no fornecimento de energia russa à Europa é outra delas. E finalmente o temor dos investidores de que o aperto monetário do Federal Reserve conduza a economia dos EUA a uma recessão.

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🇺🇸 Expectativas sobre o PIB

Neste contexto, o PIB norte-americano que será divulgado hoje será um dado chave. É possível que o indicador se desacelere, evidenciando os primeiros efeitos da guerra na Ucrânia e da inflação que o confronto tem gerado.

🇪🇺 O caminho da inflação

Começa hoje a divulgação de indicadores de preços na Europa. Na Espanha, o IPC surpreendeu ao desacelerar para +8,4% em abril na comparação anual, inferior aos +9,1% esperados. Em março, o indicador havia disparado para +9,8%. É certo que o governo espanhol adotou medidas para baratear os preços da gasolina e da eletricidade. O núcleo, que exclui preços de energia, subiu de um mês para o outro (de +3,4% para +4,4% em abril, no confronto anual). Mesmo assim, os dados podem levar os traders a se perguntarem se a inflação está perto de tocar o teto.

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  • Em tempo: Mais tarde tem IPC da Alemanha.

Leia também o Breakfast, uma newsletter da Bloomberg Línea: Unicórnios demitem: o encanto se acabou?

Um panorama dos mercados esta manhãdfd

🟢 As bolsas ontem: Dow Jones (+0,19%), S&P 500 (+0,21%), Nasdaq Composite (-0,01%), Stoxx 600 (+0,73%), Ibovespa (+1,05%)

As bolsas norte-americanas se recuperaram, após a venda maciça de ações de tecnologia na terça-feira. A compra de oportunidades impulsionou o mercado. Além disso, os investidores se movem na expectativa de relatórios trimestrais para confirmar a resistência da economia dos EUA. O clima foi ajudado pelos resultados da Microsoft, embora a Alphabet tenha desapontado com os ganhos mais fracos do que o esperado do YouTube. O otimismo também foi ajudado pela promessa do presidente chinês Xi Jinping de mais projetos de infra-estrutura, o último passo para apoiar uma economia golpeada por bloqueios para afugentar a Covid-19.

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Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

• EUA: PIB/1T22; Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego; Preços do PCE/1T22; Gasto dos Consumidores/1T22; Índice de Atividade Industrial Fed Kansas/Abr; Estoque de Gás Natural

• Europa: Zona do Euro (Confiança de Empresas e Consumidores/Abr; Clima de Negócios/Abr; Expectativas de Inflação ao Consumidor/Abr); Alemanha (IPC/Abr); Espanha (IPC; Taxa de Desemprego); Espanha, Itália e Portugal (Confiança Empresarial/Abr)

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Ásia: China (PMI Industrial Caixin/Abr)

• América Latina: Brasil (IGP-M/Mar; Índice de Evolução de Emprego do CAGED/Mar; IPP/Mar; Reunião do CMN); México (Taxa de Desemprego/Mar; Balanço Fiscal/Mar)

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• Bancos centrais: Decisão de Política Monetária e Relatório de Projeções do Bank of Japan (BoJ). Relatório Mensal do BCE. Discurso de Luis de Guindos, Elizabeth McCaul, Frank Elderson (BCE)

• Balanços: Samsung, Apple, Amazon, Mastercard, Eli Lilly, Thermo Fisher Scientific, Merck, Comcast, Intel, McDonald’s, Swedbank, Linde, Sanofi, Caterpillar, TotalEnergies, Gilead Sciences, Twitter, Nordic Semiconductor, PG&E, Southwest Airlines, Nokia, Barclays, Repsol, Carlyle, Zendesk, Roku

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📌 E para amanhã:

• Feriado no Japão

• EUA: Índice de Preços PCE/Mar; Renda e Gastos Pessoais/Mar; Consumo Pessoal Real/Mar; PMI de Chicago/Abr; Expectativas de Inflação Univ. Michigan/Abr; Confiança do Consumidor Michigan/Abr; Despesas de Consumo Pessoal (PCE) - Fed Dallas/Mar

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• Europa: Zona do Euro (IPC/Abr; PIB/1T22; Massa Monetária - Agregado M3/Mar; Empréstimos ao Setor Privado); Alemanha (PIB/1T22; Preços de Bens Importados/Mar); França (IPC; IPP; Gasto dos Consumidores/Mar; PIB/1T22); Reino Unido (Índice de Preços de Imóveis Nationwide/Abr; Crédito ao Consumidor BoE /Mar; Aprovações de Hipotecas/Mar); Espanha (PIB/1T22; Vendas no Varejo/Mar); Itália (PIB/1T22; IPP/;Mar), Portugal (IPC/Abr)

• Ásia: China (PMI Composto/Abr)

• América Latina: Brasil (IBC-Br; Empréstimos Bancários/Fev; Taxa de Desemprego; Balanço Orçamentário/Fev; Transações Correntes/Fev; Investimento Estrangeiro Direto; Dívida Líquida/PIB Fev); México (PIB)

• Balanços: Bank of China, Exxon Mobil, Orsted, Chevron, AbbVie, Bristol-Myers Squibb, AstraZeneca, Honeywell, DBS, Colgate-Palmolive, Eni, Neste Oyj, BBVA, NIO, CaixaBank, NatWest, Nutresa, Itaú CorpBanca, Celulose Irani

--Com informações da Bloomberg News

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Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.

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