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Blatter e Platini, ex-chefes do futebol mundial, são julgados antes da Copa

Ex-dirigentes da FIFA e da UEFA são acusados de crime de peculato e pagamento indevido de cerca de US$ 2,1 milhões ao ex-craque da França

Sepp Blatter, ex-presidente da FIFA, ao centro, na saída de audiência no Tribunal Penal Federal Suíço em Bellinzona, na Suíça, nesta quarta (8)
Por Bloomberg News
08 de Junho, 2022 | 06:52 PM

Bloomberg — Estava previsto para começar nesta quarta-feira (8) o julgamento do ex-presidente da FIFA Sepp Blatter e de seu então sucessor, o ex-craque da seleção francesa Michel Platini. Aguardado para depor já no primeiro dia, Blatter, que tem 86 anos, disse que não conseguia “respirar bem” e pediu que seu depoimento fosse adiado para a manhã de quinta-feira (9).

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O tribunal concordou e Blatter saiu amparado pouco tempo depois. Blatter e Platini já estiveram no topo dos principais órgãos que comandam o futebol mundial e agora são acusados de peculato e pagamento indevido de 2 milhões de francos (cerca de US$ 2,1 milhões) ao francês em 2011, um ano depois dele ter deixado seu cargo como consultor da FIFA.

Antes do julgamento, Blatter argumentou que o dinheiro fazia parte de “um pagamento de salário devido” a Platini e “foi declarado corretamente” como tal, “faturado de acordo e aprovado por todas as autoridades responsáveis da FIFA”.

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Platini disse em comunicado que “vamos provar em juízo que agi com a maior honestidade, que o pagamento do restante do salário em aberto com a FIFA é perfeitamente legal”.

Os promotores dizem que o pagamento tardio ao lendário meio-campista francês, na época chefe da UEFA (a poderosa entidade que comanda o futebol na Europa), foi “feito sem base legal”. Eles alegam que o dinheiro não era devido a Platini e que ele não tinha direito às contribuições previdenciárias reivindicadas por ele. O crime de Blatter, segundo os promotores, foi confirmar e aprovar as faturas.

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‘Sem competência’

Desde o início da manhã de quarta-feira os advogados de ambos tentaram contestar o processo. Lorenz Erni, advogado de Blatter, argumentou que a FIFA não tinha motivos para abrir um processo contra seu ex-chefe como um demandante privado, já que nenhum executivo sênior do órgão regulador do futebol endossou a ideia.

Já Dominic Nellen, advogado de Platini, argumentou que o caso deveria ser julgado pelo tribunal cantonal de Zurique, onde a FIFA está sediada, e não pelo tribunal criminal federal suíço. “A questão da chamada ‘fatura falsa’ deve ser tratada em Zurique”, disse Nellen. “Isso não tem nada a ver com competências federais e temos o direito de ser ouvidos no tribunal cantonal”, argumentou.

Thomas Hildbrand, procurador federal que abriu o caso, criticou ambos os argumentos. Na mesma linha, um advogado da FIFA disse que o pagamento “nunca foi autorizado pela FIFA” e apenas pelo próprio Blatter.

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O tribunal rejeitou o pedido de transferir o caso para um único tribunal cantonal, citando o fato de que vários cantões têm envolvimento, e também recusou as tentativas dos réus de que a FIFA fosse retirada como demandante.

Escândalos

O julgamento desta semana marca uma década tumultuada para a FIFA. Em meados de 2015, a polícia invadiu hotéis luxuosos de Zurique, onde seus executivos se reuniam, como parte de uma investigação internacional sob as alegações de extorsão, lavagem de dinheiro e fraude eletrônica. Blatter, nascido na Suíça, renunciou dias depois como chefe da organização que dirigiu desde 1998.

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Blatter e Platini foram banidos do futebol em dezembro de 2015 devido ao escândalo de pagamento, dando fim às chances de Platini, de 66 anos, se tornar presidente da FIFA. Ambos negaram as irregularidades, alegando que o pagamento fazia parte de um contrato verbal entre eles pelos serviços que Platini prestou à FIFA na Copa do Mundo, de 1998 a 2002.

Antes de se voltar para o setor administrativo do futebol, Platini teve uma brilhante carreira de jogador. Ele foi o capitão da equipe francesa que venceu a Eurocopa de 1984 e foi premiado três vezes com a prestigiosa Bola de Ouro, prêmio criado pela revista francesa France Football.

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O julgamento ocorre em um momento difícil para a FIFA, com sede em Zurique, que é demandante dos processos judiciais. A ideia inicial para a Copa do Mundo deste ano no Catar era ser um festival de futebol internacional que abriria um novo caminho para o esporte na região do Golfo.

Mas a entidade atravessa turbulências após as alegações de que dezenas de trabalhadores morreram construindo estádios e outras infraestruturas nos 12 anos desde que o Catar foi escolhido para sediar o evento, derrotando a candidatura apontada como favorita dos Estados Unidos.

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Além disso, promotores americanos emitiram, em 2020, uma acusação contra alguns indivíduos alegando o recebimento de subornos em 2010 para votar no Catar. Platini também foi interrogado em 2019 pela polícia financeira francesa, que está conduzindo sua própria investigação sobre as alegações.

– Esta notícia foi traduzida por Melina Flynn, Content Producer da Bloomberg Línea.

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