Saúde

Covid: Brasil está entre países que mais contribuíram para alta de óbitos

Dez países, incluindo Brasil, Egito, Índia, EUA e Rússia, foram responsáveis por 68% do excesso de mortes, diz a OMS

Estimativa mais precisa da OMS gira em torno de 14,9 milhões, mas a margem de erro a faria oscilar entre 13,3 milhões e 16,6 milhões
Por Thomas Mulier y Clara Hernanz Lizarraga
05 de Maio, 2022 | 04:11 PM

Bloomberg — O número de mortos por covid-19 provavelmente subiu para quase 15 milhões em seus primeiros dois anos – cerca de uma em cada 500 pessoas em todo o mundo – de acordo com uma nova estimativa da Organização Mundial da Saúde.

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O número, muito superior aos números oficiais para 2020 e 2021, inclui mortes diretamente devido à infecção por covid e aquelas causadas indiretamente por problemas decorrentes da pandemia, informou a agência de saúde com sede em Genebra na quinta-feira (5). A nova estimativa da OMS é mais que o dobro dos números dos relatórios de governos individuais, que mostram cerca de 6,2 milhões de mortes por covid.

“Esses dados preocupantes não apenas apontam para o impacto da pandemia, mas também para a necessidade de todos os países investirem em sistemas de saúde mais resilientes que possam sustentar serviços essenciais de saúde durante as crises”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em comunicado.

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O número foi calculado por meio da diferença entre todas as mortes que ocorreram e aquelas que seriam esperadas em circunstâncias normais. Estima-se que mais de um terço das 9 milhões de mortes adicionais tenham ocorrido na Índia, que contestou o novo número da OMS e atrasou a divulgação do relatório, segundo o New York Times. O governo de Narendra Modi manteve sua própria contagem de 523,9 mil mortes.

A estimativa é inferior à do Instituto de Métricas e Avaliação de Saúde da Universidade de Washington, que calculou em março que a pandemia havia matado 18,2 milhões de pessoas, chamando-a de o maior “choque de mortalidade” desde a gripe espanhola. Os óbitos do surto de 1918-1919 foram estimados em 50 milhões, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA.

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Do total, estima-se que 9,5 milhões de mortes por pandemia foram causadas diretamente por infecções por covid, de acordo com o relatório da OMS. Dez países, incluindo Brasil, Egito, Índia, EUA e Rússia, foram responsáveis por 68% do excesso de mortes.

Cerca de 70 países não registram causas de morte entre suas populações.

O número de óbitos provavelmente seria de 14,9 milhões, disse a OMS, embora a variação possa ficar entre 13,3 milhões e 16,6 milhões. Muitas mortes ocorreram quando a pandemia sobrecarregou os sistemas de saúde, dificultando o acesso ao tratamento para outras doenças, segundo o relatório. 57% dos óbitos foram de homens, e a maioria das mortes ocorreu entre pessoas com mais de 60 anos.

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“O cálculo do excesso de mortalidade é um componente essencial para entender o impacto da pandemia”, disse Samira Asma, diretora assistente de dados, análises e entrega da OMS, em comunicado. “Devido aos investimentos limitados em sistemas de dados em muitos países, a verdadeira extensão do excesso de mortalidade geralmente fica oculta.”

A Índia forneceu estimativas para mortes em 2020 recentemente, e a OMS continua as consultas com o governo sobre o assunto, disse Asma. A OMS planeja atualizar sua estimativa à medida que mais dados surgirem, e a próxima atualização incluirá mais dados da Índia, disse ela.

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A covid superou a tuberculose como a mais letal entre as doenças infecciosas do mundo. A doença pulmonar matou 1,5 milhão de pessoas em 2020, segundo a OMS. A gripe sazonal mata de 290 mil a 650 mil pessoas todos os anos, segundo a agência.

--Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

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