Brasil

Empresários não são culpados pela inflação, diz secretária do Tesouro dos EUA

Demanda e oferta são os fatores que estão impulsionando os preços, diz Janet Yellen; no Brasil, Paulo Guedes pediu a supermercados uma ‘trégua’ em reajustes

Janet Yellen, secretária do Tesouro nos EUA: desequilíbrio entre oferta e demanda é o que está elevando os preços
10 de Junho, 2022 | 08:27 am

Bloomberg Línea — A secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, disse que empresários e uma suposta ganância corporativa não são culpados pela inflação no país, discordando de forma pública da acusação feita por alguns membros do Partido Democrata, do presidente americano Joe Biden. As informações são da Bloomberg.

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Yellen, que anteriormente foi presidente do Federal Reserve (o Fed), o banco central americano, disse que a demanda e a oferta são os fatores que estão, em larga medida, impulsionando a inflação para os patamares mais elevados em quatro décadas na maior economia do mundo.

A economista expressou a sua visão ao ser questionada nesta quinta-feira (9), em evento do The New York Times, sobre se a ganância corporativa era a maior responsável pela inflação, dado que houve aumento de margens de empresas em alguns casos. Nesta sexta (10), o governo divulga o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) em maio. O índice avançou 8,3% até abril na base anualizada.

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O presidente Joe Biden recentemente ameaçou lançar investigação federal sobre uma suposta prática de manipulação do preço da gasolina, em iniciativa que teve apoio da presidente da Câmara, Nancy Pelosi. A secretária do Tesouro, por sua vez, defendeu que a missão de combater a alta dos preços cabe primordialmente ao Fed - que está subindo os juros e reduzindo a liquidez do mercado.

Yellen alertou para os riscos de preços mais elevados de alimentos e energia, que são duas das categorias que mais estão pressionando a inflação, o que mostra que mesmo o governo trabalha com a hipótese de que os índices ainda não atingiram o pico, como defendido por alguns economistas.

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A visão de políticos de vincular a alta dos preços ao setor privado de forma pública não é inédita. No Brasil, o ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu também nesta quinta-feira a empresários donos de supermercados uma “trégua nos preços” de alimentos que compõem a cesta básica e que segurem a tabela de reajustes até 2023. Segundo Guedes, era um pedido do presidente Jair Bolsonaro.

As declarações foram dadas em evento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), em São Paulo.

“O apelo que eu faço aos senhores, para toda a cadeia produtiva, é para que os produtos da cesta básica, cada um, obtenha o menor lucro possível”, disse Bolsonaro aos empresários.

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A chamada do atual governo a um suposto ato de patriotismo dos empresários para defender a economia remeteu a apelos do então presidente da República José Sarney em 1986, por ocasião do chamado Plano Cruzado, um programa econômico que congelava preços com o objetivo de tentar quebrar uma das maiores espirais inflacionárias do mundo. Na época, Sarney convocou brasileiros a agir como fiscais para denunciar supermercados e outros varejistas que estivessem aumentando os preços.

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