Mercados

Mercados perdem força nos EUA e aceleram queda na Europa após decisão do BCE

Banco Central Europeu dá pistas sobre como resolverá encruzilhada econômica; bolsas europeias intensificam queda e futuros de índices nos EUA começam a cair

As variáveis que orientarão os mercados
09 de Junho, 2022 | 07:57 am

Barcelona, Espanha — (Esta nota atualiza a versão publicada originalmente às 6h24).

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O mercado financeiro finalmente conheceu algumas das manobras do Banco Central Europeu (BCE) para superar a atual encruzilhada econômica, onde a inflação disparada e o aumento dos juros têm levantado dúvidas sobre o crescimento dos Produto Interno Bruto (PIB) global.

Dentro de três semanas, a autoridade monetária deterá a compra de ativos em larga escala, um passo chave para combater a inflação recorde. Ao fazer isso, abre caminho para o primeiro aumento das taxas de juros na Zona do Euro em mais de uma década, aplicando um aumento de 0,25 ponto percentual em julho e, em setembro, segundo o ritmo da inflação, o que levará à interrupção de uma era de oito anos de taxas negativas.

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Os anúncios vêm depois de outro aumento inesperado da inflação da região, que foi de 8,1% em maio, mais de quatro vezes a meta oficial.

✳️ Após a decisão do BCE, as bolsas de valores européias aceleraram sua queda. O Stoxx Europa 600 baixava mais de 1%. Nos Estados Unidos, os futuros índices perderam vapor e alguns indicadores passaram a cair. Os títulos do Tesouro a 10 anos continuam em alta, com prêmios de 3%. Todos os títulos europeus avançavam após a decisão do banco central.

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❗ Momento histórico para o BCE. O banco central europeu colocou sobre a mesa as cartas para um giro de 180 graus em sua política monetária. Em julho, iniciará um ciclo de aperto que interromperá uma era de oito anos de taxas negativas. A taxa de depósito do BCE, atualmente em -0,5%, será aumentada em um quarto de ponto no próximo mês, e novamente nessa magnitude ou mais se a inflação justificar uma postura mais dura.

🚱 Fechando a ‘torneira’. Mas antes de tocar nos juros, o BCE adotará outra política de enxugamento da liquidez nos mercados: reduzir trilhões de euros de compras de ativos e deixar de rolar títulos em vencimento. O banco central concordou em suspender as compras líquidas de títulos a partir de 1 de julho no marco de um programa da era da crise, de 2015.

🤕 Como evitará uma fragmentação? O BCE planeja reinvestir o principal dos títulos adquiridos sob o PEPP, o programa de compra de ativos estabelecido durante a pandemia, que estão vencendo até pelo menos o final de 2024. Desta forma, o banco central tentará compensar o aumento do prêmio de risco dos países mais vulneráveis a um aumento do custo da dívida européia, como Itália, Grécia e Espanha, ou para amortecer uma eventual venda maciça de títulos.

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✍🏼 Revisão macro. O BCE também revisou o quadro macroeconômico, com um ambiente de menor crescimento e maior inflação. Estes são os números: inflação em alta (2022: +6,8% versus +5,1% anterior; 2023: +3,5% vs +2,1% anterior; 2024: +2,1% vs +1,9% anterior) e crescimento econômico em baixa (2022: +2,8% vs +3,7% anterior; 2023: +2,1% vs +2,8% anterior; 2024: +2,1% vs +1,6% anterior).

👁️ Política monetária à parte, o mercado também assiste ao comportamento dos preços de petróleo, que nas últimas sessões engataram uma forte alta e levaram o barril tipo WTI a superar os US$ 122, e se saem à luz novos alertas corporativos para momentos mais difíceis e menos lucros.

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Depois da decisão do BCEdfd

🟢 As bolsas ontem: Dow Jones Industrials (-0,81%), S&P 500 (-1,08%), Nasdaq Composite (-0,73%), Stoxx 600 (-0,57%), Ibovespa (-1,55%)

Os avisos de crescimento econômico mais lento e inflação mais duradoura pesaram sobre o desempenho dos mercados acionários internacionais. O sentimento dos investidores permanece frágil devido a dúvidas de que o aumento das taxas de juros prejudicará ou não a economia e os lucros corporativos. Além disso, os preços do petróleo subiram acima de US$ 120 por barril, em reação à queda nos estoques de gasolina e de petróleo bruto no maior centro de armazenamento dos EUA.

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Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: Pedidos Iniciais de Seguro-Desemprego, Estoques de Gás Natural

Europa: França (Folha de Pagamento Não Agrícola/1T22); Espanha (Confiança do Consumidor)

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Ásia: China (Balança Comercial/Mai, Novos Empréstimos, IPC/Mai); Japão (Encomendas de Ferramenta Mecânica)

América Latina: Brasil (IPCA/Mai); México (IPC-núcleo/Mai); Argentina (Produção Industrial/Abr)

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Bancos centrais: Decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE, prevista para as 8h45 de Brasília) e entrevista de sua presidente, Christine Lagarde

📌 Para amanhã:

• EUA: IPC e Sentimento do Consumidor da Universidade de Michigan. Índices de Preços ao Produtor e ao Consumidor da China

--Com informações da Bloomberg News

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Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.

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