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Mercados

Nova rodada de perdas para os mercados; preços, economia e geopolítica sob o foco

Queda prevalece entre os futuros de índices nos EUA e as bolsas europeias; petróleo recua por lockdowns na China e investidas da UE para banir a matéria-prima russa

As variáveis que orientarão os mercados
09 de Maio, 2022 | 08:37 am

Barcelona, Espanha — Uma nova semana se inicia, mas o mau humor dos mercados permanece. Tantos os futuros de índices nos Estados Unidos como as bolsas europeias recuavam com força nos primeiros negócios da manhã, mantendo a toada das últimas jornadas (com cinco declínios sucessivos nas bolsas norte-americanas) e indicando que as bolsas norte-americanas poderiam se dirigir a um mercado de urso (bear market).

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Os investidores correm para a segurança do dólar norte-americano à medida que a agressividade na política monetária do Federal Reserve (Fed) e as restrições à mobilidade na China ameaçam o crescimento econômico. A moeda subia para o nível mais alto em dois anos, apreciada em relação à maioria de seus pares. Os futuros do S&P 500 e Nasdaq 100 chegaram a tombar ao menos 2% cada um. Na Europa, as bolsas também operavam no vermelho, com o Stoxx 600 superando os 2% de queda.

O petróleo caía em torno de 2,5%, refletindo a preocupação com uma menor da demanda na Ásia e o desejo do G7 de banir o petróleo russo. Os títulos do Tesouro perdia valor na maior parte dos países, com prêmios bem elevados - a taxa do bônus dos EUA de cinco anos chegou a alcançar, nesta manhã, seu nível mais alto desde 2008.

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O bitcoin retrocedia mais de 4%, chegando ao menor patamar desde julho de 2021.

Estes são os principais vetores da semana para os mercados financeiros:

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💸 Inflação. Perto de tocar o teto? Em matéria de indicadores, o mais esperado para esta semana é o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) dos EUA, programado para sair na quarta-feira. A expectativa é de que os preços apontem para uma alta de 8% em abril, comparativamente ao ano anterior, segundo projeção dos economistas da Bloomberg. Caso esta expectativa se confirme, o aumento de 8,5% em março representaria o máximo para o ciclo atual.

💃 A política monetária dança a mesma música? Se a inflação está realmente perto de alcançar seu pico, teoria compartilhada pelos economistas para as economias europeias, os bancos centrais estariam dispostos a esfriar o ímpeto de subida dos juros para controlar a inflação? Os últimos dados sobre o emprego nos EUA mostram um mercado aquecido, o que daria ao Fed margem de manobra para uma política monetaria mais agressiva. Em busca de respostas, os investidores operarão ao sabor dos indicadores e dos discursos de membros das autoridades monetárias.

🔴 Riscos para as economias. No radar também estão os impactos dos lockdowns na China e da guerra Rússia-Ucrânia. O presidente Vladimir Putin está discursando hoje no desfile do Dia da Vitória, que marca o aniversário da rendição da Alemanha nazista em 1945. Ele pode indicar seus próximos passos para a invasão da Rússia à Ucrânia. Os países mais industrializados do G7 se comprometeram a proibir a importação de petróleo russo. A União Europeia está trabalhando em um plano semelhante, mas a Hungria continua sendo um obstáculo. O bloco seguirá com as conversas para ampliar as sanções.

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🤨 Confiança abalada. Para a semana o mercado aguarda uma série de indicadores que darão uma mostra das expectativas e da confiança dos consumidores. Na Zona do Euro, por exemplo, esta manhã foi divulgado que o indicador Sentix de maio caiu para -22,6, contra expectativas de 21,6 e bem pior que os -18,0 da medição anterior. Os dados são os piores desde junho de 2020.

🟢 As bolsas na sexta-feira: Dow Jones (-0,30%), S&P 500 (-0,57%), Nasdaq Composite (-1,40%), Stoxx 600 (-1,91%), Ibovespa (-0,16%)

As ações dos EUA ampliaram o declínio de quinta-feira à medida que os investidores pesavam os efeitos de uma política monetária mais rígida e o risco de uma desaceleração econômica. O S&P 500 caiu para seu nível mais baixo em cerca de um ano e registrou sua quinta queda semanal consecutiva, a mais longa série de perdas desde junho de 2011. Os investidores também ficaram de olho no relatório de emprego - a folha de pagamento dos trabalhadores não agrícolas aumentou em 428.000 em abril e a taxa de desemprego permaneceu em 3,6%.

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Primeiros negócios sinalizam nova rodada de perdas para as bolsas nos EUAdfd

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

• Feriado: Hong Kong, Rússia (discurso de Vladimir Putin), Ucrânia

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• EUA: Índice de Tendência de Emprego/Abr; Vendas no Atacado/Mar; Pesquisa Fed com Bancos de Empréstimos

• Europa: Zona do Euro (Confiança do Investidor Sentix/Mai); França (Balança Comercial/Mar; Transações Correntes); Reino Unido (Vendas no Varejo do BRC/Abr)

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• Ásia: Japão (Gastos Domésticos/Mar); China (Balança Comercial/Abr)• América Latina: Brasil (Boletim Focus); México (IPC/Abr)

• Bancos centrais: Atas da Reunião de Política Monetária do Banco do Japão (BoJ). Discurso de Raphal Bostic (FOMC/Fed); Michael Saunders (BoE)

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• Balanços: Duke Energy, Microchip, BioNTech, Westpac Banking, Infineon, Exelon, Tyson Foods, Itaú Unibanco, Tran Gas del Sur, BTG Pactual, Cemargos, Cementos Argos, Naturgy, Assaí, Metalúrgica Gerdau

📌 E para amanhã:

• EUA: Otimismo entre Pequenas Empresas NFIB/Abr; Índice Redbook; Índice IBD/TIPP de Otimismo Econômico; Perspectiva Energética de Curto Prazo - EIA; Estoques de Petróleo Bruto Semanal API

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• Europa: Zona do Euro (Expectativas Econômicas ZEW/Mai); Alemanha (Expectativas Econômicas ZEW/Mai); Itália (Produção Industrial/Mar); Portugal (Balança Comercial/Mar)

• Ásia: Japão (Reservas Internacionais/Abr); China (IPC e IPP/Abr)

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• América Latina: Brasil (Ata do Copom/BC; Vendas no Varejo/Mar); Empréstimos Bancários

• Bancos centrais: Discursos de John Williams, Raphael Bostic e Loretta Mester (FOMC/Fed); Joachim Nagel (presidente do Bundesbank); Luis de Guindos (BCE)

• Balanços: Sony, Nintendo, Suncor, Bayer, Occidental Petroleum, Roblox, Peloton, Warner, Telefônica Brasil

--Com informações da Bloomberg News

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Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.