Startups

Rodadas da semana têm unicórnio inédito no Equador e aporte em fintech no Brasil

Apesar de momento adverso no mercado de startups, fundos de venture capital continuam a investir em companhias na América Latina

O Pix, sistema de pagamentos instântaneos, já está servindo como base para novas startups no Brasil, como a Zipp, que anunciou uma rodada Série A nesta semana
10 de Junho, 2022 | 12:05 pm

Bloomberg Línea — Bem-vindo às rodadas da semana. Mesmo com o “inverno tech”, startups da região continuam a receber rodadas. Nesta semana, a paytech equatoriana Kushki se tornou o primeiro unicórnio do país, com valuation superior a US$ 1 bilhão, depois de receber uma extensão de US$ 100 milhões para sua Série B.

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Novos e antigos investidores participaram da rodada, incluindo Kaszek Ventures, Clocktower Ventures, SoftBank Latin America Fund e DILA Capital, entre outros. No total, a startup do Equador, que se tornou o 46º unicórnio da América Latina, arrecadou US$ 186 milhões na Série B combinada.

A Kushki registrou um crescimento de 200% em 2021. “Atingir esse marco em tempos de incerteza econômica é uma evidência da qualidade e da resiliência de toda a nossa equipe e do enorme talento latino-americano que existe na região”, disse Aron Schwarzkopf, CEO e cofundador de Kushki, no anúncio de sua avaliação como unicórnio.

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A colombiana Muni também recebeu investimento de US$ 27 milhões em uma Série A, e a mexicana Klar, de US$ 90 milhões para atingir uma avaliação de US$ 500 milhões, disse a fintech.

E quando se trata de rodadas de investimento em estágio inicial, o capital também não parou de fluir. Abaixo estão as séries iniciais desta semana.

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Zippi

Fundada em 2019 entre o MIT e São Francisco por brasileiros, a Zippi, startup de pagamento de crédito instantâneo para microempreendedores autônomos, arrecadou US$ 16 milhões (cerca de R$ 83 milhões) em uma rodada da Série A liderada pela Tiger Global, com participação da Y Combinator, Volpe Capital, Rainfall Ventures, Globo Ventures, Hummingbird, Mantis, MSA Capital e Soma Capital.

É o primeiro negócio do fundador e CEO da startup, André Bernardes. “Entramos no setor de pagamentos e fintech porque os três fundadores são apaixonados por esse setor. E nossa solução veio impulsionada pela revolução do Pix”, disse Bernardes, em entrevista à Bloomberg Línea.

Com o Pix, microempreendedores passaram a ter um comportamento de compra e venda digital, segundo Bernardes, o que criou a oportunidade de desenvolver um novo método de pagamento de crédito instantâneo, em cima da infraestrutura criada pelo sistema do Banco Central.

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“Criou-se um traço digital desse cliente que antes ninguém conseguia entender. Antes ele transacionava no offline, e agora isso está online. Boa parte do nosso esforço é investido em trabalhar esse dado para entender quem é o nosso cliente, onde eles estão e como a gente oferece os melhores produtos financeiros para eles”, explicou Bernardes.

Funciona assim: o microempreendedor que compra insumos e antes tinha que pagar os fornecedores com dinheiro ou cartão de crédito agora tem a opção de usar o aplicativo Zippi para solicitar crédito instantâneo e efetuar o pagamento pelo Pix. “Concedemos esse capital de giro que lhes permite tocar o negócio”, disse o CEO.

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Por isso, o prazo para pagamento da fatura é curto: em 7 dias, ou o empreendedor passa a dever à Zippi pelo empréstimo com 3% de taxa.

“A chave do nosso ingrediente tecnológico é entender os dados desse pequeno empreendedor e dimensionar o tanto de limite que vamos dar nesse meio de pagamento. Esses dados vêm do fluxo de caixa. Via open banking, conseguimos entender o quanto ele está transacionando, quando ele está vendendo, e temos um algoritmo que infere e dimensiona esse risco. O que era impossível de ter sido feito antes de Pix e do open banking surgir no Brasil porque esses dados não existiam”, disse.

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Até agora, a startup captou cerca de US$ 22 milhões. Ele disse que a Série A veio no “valuation que queria”. A startup chegou até aqui com 26 pessoas e agora tem o objetivo de dobrar o time e aumentar o volume transacionado de 6 para 10 vezes, embora não divulgue o valor exato.

Minds

A Minds Digital, IDtech brasileira de biometria de voz para identificar e prevenir fraudes em transações e operações financeiras, captou uma rodada Seed de R$ 1,5 milhão com a participação da BR Angels. Os recursos serão utilizados para promover as áreas de produto, comercial e marketing da empresa.

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“A Minds nasceu com o propósito de apoiar todo o ecossistema financeiro nacional, e está presente em qualquer tipo de mercado que tenha transações financeiras e onboarding digitais”, disse Marcelo Peixoto, CEO da startup, em nota à imprensa.

Paisa

A fintech mexicana Paisa fechou uma rodada de investimento pré-seed de US$ 600 mil. A operação foi liderada pelas empresas de VC Magma Partners, Precursor Ventures, Latitude, Forum VC e Gaingels.

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A startup, fundada em junho de 2021, teve vários investidores anjo, incluindo Courtney McColgan (fundadora e CEO, Runa), Loreanne García (cofundadora, Kavak),Juan Zavala (cofundadora e CEO, FinZi), Jos Hua Gordon-Blake (Chief Operating Officer, Pangea), Anna Gincherman (Partner, ConsumerCentriX), Arif Damji (Principal, Conductive Ventures), Kahini Shah e Monica Vidal (Cofundadora e Diretora Administrativa, Lattice Capital Partners), entre outros.

A Paisa disse que quer diminuir a lacuna financeira, digital e de gênero que os serviços financeiros tradicionais e as fintechs deixaram em aberto, por meio de empréstimos garantidos por remessas.

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Kurios

A edtech B2B Kurios levantou US$ 2,3 milhões para chegar ao México. A empresa sediada nos EUA treina equipes digitais corporativas com o objetivo de acelerar suas iniciativas de transformação digital.

Entre seus fundos e investidores anjo estão a aceleradora Y Combinator (que já investiu em empresas como Stripe, Dropbox, Coinbase, Rappi entre outras), Rethink Education, John Danner, Austen Allred (fundador da Lambda School), Dan Sommer e David Berger (ex-fundadores da Trilogy Education), Rob Cohen (ex-COO e CFO da 2U, e ex-CFO e membro do conselho da The Princeton Review), Harvard Management Company, University of Michigan, Necessary Ventures, Integra Groupe e executivos da indústria de tecnologia de empresas como Amazon, Uber, Netflix, Google e Dropbox.

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Cluvi

A startup colombiana recebeu US$ 2,5 milhões em uma rodada inicial apoiada pela Cometa, uma empresa regional de capital de risco, e pela empresa de capital de risco da Femsa, a Femsa Ventures.

Investidores anjos como Carolina García, cofundadora da Chiper, entre outros anjos também participaram.

A Cluvi economiza custos para restaurantes e já conseguiu digitalizar mais de 3.000 negócios na Colômbia e na América Latina. Com esse capital, a startup soma mais de US$ 10 milhões recebidos em financiamento, que utilizará principalmente para promover a solução Cluvipay.

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Yanin Alfaro (BR)

Yanin Alfaro (BR)

Jornalista com experiência em startups e tecnologia

Isabela  Fleischmann

Isabela Fleischmann BR

Jornalista brasileira especializada na cobertura de tecnologia, inovação e startups

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