Internacional

Zimbábue quer trocar produção de tabaco por cannabis de uso médico e industrial

Movimento antitabagismo deve derrubar consumo de tabaco, uma das maiores exportações do país

Em 2021, foram 30 toneladas exportadas para o país europeu
Por Ray Ndlovu
05 de Abril, 2022 | 09:01 PM

Bloomberg — A indústria de tabaco do Zimbábue está analisando a cannabis como uma importante fonte de receita, pois o sentimento antitabaco deve diminuir a demanda por um dos produtos mais exportados pelo país.

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A demanda antecipada por cannabis deve continuar a crescer, ao passo que a produção global de tabaco pode diminuir 15% até 2030, segundo Meanwell Gudu, diretor executivo do Conselho de Indústria e Marketing de Tabaco do Zimbábue.

Uma das culturas alternativas que estamos analisando é o cânhamo industrial”, disse ele por telefone na segunda-feira (4). “Queremos fazer parte de toda a cadeia de cânhamo industrial.”

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O tabaco rendeu ao país US$ 819 milhões em receita no ano passado. O cultivo de cannabis para uso médico no Zimbábue foi legalizado pela primeira vez em 2019.

O conselho tem 145 mil produtores de tabaco registrados, que começaram a vender a safra deste ano em leilões na semana passada. Os agricultores serão incentivados a plantar cannabis para que um quarto de sua renda venha da planta até 2025, disse Gudu.

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“É uma cultura que exige atenção aos detalhes, assim como o tabaco, e confiamos que eles serão capazes”, disse.

O país exportou 30 toneladas de cânhamo industrial para a Suíça no ano passado, sua primeira incursão no mercado europeu, disse Zorodzai Maroveke, fundador do Zimbabwe Industrial Hemp Trust. O grupo está firmando parceria com o conselho de tabaco para facilitar a “transição suave” para a cannabis para fins comerciais.

“A Suíça é a primeira porta de entrada para a Europa”, disse Maroveke em entrevista na capital, Harare. Outras 20 toneladas de cânhamo industrial devem ser exportadas para o país europeu, disse ela.

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O conselho buscará mercados de exportação para o cânhamo industrial, incluindo China, União Europeia e também tentará criar um mercado local, disse Gudu.

-- Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

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