Brasil

Brasília em Off: O pior cenário para a Eletrobras

Decisão final do TCU sobre privatização deve ficar para agosto, no meio de um momento quente na disputa eleitoral

Segundo pessoas a par do assunto, investidores não teriam interesse em pagar um valor alto pelas ações de uma companhia cuja privatização corre risco de ser contestada
Por Martha Beck
08 de Abril, 2022 | 05:40 PM

Bloomberg — A capitalização da Eletrobras (ELET3) deve acabar caindo na pior janela possível para a empresa devido ao Tribunal de Contas da União (TCU).

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A corte já avaliou o cálculo do bônus de outorga da companhia, mas ainda precisa julgar o preço mínimo da ações. O assunto deve ser levado ao plenário do TCU no início de maio, mas a aposta é que o ministro Vital do Rêgo pedirá vista por um prazo de 60 dias. Isso levaria a decisão final da corte sobre o assunto para julho, empurrando a operação para agosto, no meio de um momento quente na disputa eleitoral.

Dependendo do valor que for fixado para as ações, os investidores podem acabar perdendo o interesse pela empresa, especialmente se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estiver à frente nas pesquisas. Segundo pessoas a par do assunto, investidores não teriam interesse em pagar um valor alto pelas ações de uma companhia cuja privatização corre risco de ser contestada.

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O candidato petista tem dito que vai trabalhar contra a privatização da estatal caso vença a corrida presidencial.

Procura-se

O ministro das Comunicações, Fabio Faria, está em conversas intensas com o mercado financeiro para buscar um substituto para o ministro da Economia, Paulo Guedes, caso o presidente Jair Bolsonaro seja reeleito.

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O ministro, um dos coordenadores da campanha do presidente, também tem perguntado ao mercado o que se espera de Bolsonaro na economia. A ideia é ajustar o programa de um segundo mandato palatável aos investidores agora que Guedes não é mais o fiador de Bolsonaro.

Animação

Auxiliares de Bolsonaro que já estavam se preparando para encontrar um lugar ao sol longe de Brasília a partir de 2023 agora voltaram a se animar com a reação do presidente nas últimas pesquisas. Começaram a desistir de migrar para o setor privado e mapear para onde poderiam ir num segundo mandato.

Bolsonaro ganha espaço com ou sem Moro: Radar Político

Pesquisa Quaest/Genial divulgada esta semana mostra que, sem o ex-juiz Sergio Moro na disputa, a vantagem de Lula sobre Bolsonaro cai para 14 pontos percentuais. Lula tem 45% das intenções de voto contra 31% Bolsonaro.

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Primeiro desafio

Quem vencer a corrida presidencial de 2022 terá como um de seus primeiros desafios enfrentar a pressão para a adoção de um sistema semipresidencialista de governo. Essa é uma bandeira abraçada pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, que está disposto a brigar pela ideia.

A proposta, afirma quem acompanha o assunto de perto, nunca esteve tão próxima de avançar como agora. O centrão, empoderado pela figura das emendas de relator, quer mais do que nunca limitar os poderes do futuro presidente e dar força ao Congresso.

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