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Mercados

Investidores enfrentam medo de recessão e levantam mercados nos EUA e na Europa

Ações de tecnologia e de setores “refúgio” impulsionam os mercados de renda variável, apesar da enxurrada de incertezas

As variáveis que orientarão os mercados
24 de Junho, 2022 | 06:54 am

Barcelona, Espanha — O medo da recessão chacoalha a semana. Entre a jura de batalha contra a inflação feita pelo presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, e dados macroeconômicos que sugerem um esfriamento da economia, o mercado tem se mantido cauteloso. Porém, alguns fatores ajudam a levantar os mercados - na manhã de hoje, inclusive.

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O primeiro é a busca por setores considerados “refúgio”, como saúde, consumo não cíclico, imóveis e serviços essenciais. Também alenta o mercado desconfiado a perspectiva de que os juros baixem logo após um “repique de emergencia” para esfriar a inflação.

Na manhã de hoje, as ações de tecnologia ganham destaque. Os mercados acionários operam no azul - inclusive na Europa, cujas bolsas abriram mais reticentes que os futuros de índices nos EUA, mais certeiros no caminho das compras. O Stoxx 600 chegou a subir mais de 1%, com as ações de tecnologia e de serviços essenciais estrelando. A julgar pelo ritmo deste índice, poderá fechar a semana com uma pequena valorização.

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Apesar dos ganhos nos preços, os investidores continuaram resgatar dos fundos de ações, que registraram suas maiores saídas em nove semanas em meio ao risco crescente de recessão. Cerca de US$ 16,8 bilhões foram retirados das carteiras de ações globais na semana até 22 de junho, segundo relatório do Bank of America Corp, citando os dados da EPFR Global.

→ Alguns dos fatores que movem os mercados

🚰 Sede de recuperação. A perspectiva de que, depois de um choque nos juros, os bancos centrais moderem as altas tem colaborado para uma redução considerável dos prêmios dos títulos do Tesouro, ajudando a recompor o seu valor nominal. Os bônus com prazo de dois anos, mais sensíveis à política monetária, se dirigiram à maior queda semanal de seus prêmios desde março de 2020. Há pouco, depois de estenderem o rali no começo do dia, os bônus voltavam a elevar seus prêmios, ligeiramente.

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👎 Mas macro não ajuda. E pode frear os ânimos. Os últimos dados publicados nos EUA e na Europa mostram uma deterioração do cenário. Os pedidos iniciais de seguro-desemprego pelos norte-americanos, na semana até 18 de junho, chegaram a 229 mil, o nível mais alto desde o início de fevereiro.

Os indicadores de gerentes de compras PMI divulgados ontem, que medem a temperatura do setor manufatureiro, desapontaram.

  • Nos Estados Unidos, os dados PMI mostraram uma desaceleração da economia e redução dos preços por uma demanda menor. O PMI composto caiu para 51,2 (contra os 53,0 esperados). O PMI manufatureiro foi de 52,4 em junho (próximo da mínima em dois anos), contra expectativas de 56,0 e uma pontuação de 57,0 em maio. O PMI de serviços também caiu bastante: de 53,4 em maio para 51,6 (a estimativa era de 53,3). Uma leitura abaixo de 50 aponta para um contração da economia.
  • Na Zona do Euro, o PMI das fábricas marcaram 52,0 em junho, contra os 53,8 esperados e 54,6 de maio.

🇪🇺 Alerta de gás na Europa. O mercado está atento a esta advertência. A Alemanha alertou que as medidas da Rússia para cortar o fornecimento de gás natural para a Europa poderiam levar a um colapso nos mercados de energia, estabelecendo um paralelo com o papel do Lehman Brothers no desencadeamento da crise financeira.

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😣 Mea culpa. O segundo testemunho de Powell não causou o mesmo impacto negativo do anterior. Ele fez ontem uma espécie de ‘mea culpa’ ao dizer que o Fed subestimou o avanço da inflação com a chegada das vacinas contra a Covid-19. Ele reiterou que a luta contra a inflação é “incondicional” e que é “significativamente mais desafiador” reduzir a inflação sem afetar o mercado de trabalho.

→ Leia o Breakfast, uma newsletter da Bloomberg Línea: Os IPOs no Brasil vão voltar?

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Os mercados nesta manhã de sexta-feiradfd
🟢 As bolsas ontem: Dow Jones Industrials (+0,64%), S&P 500 (+0,95%), Nasdaq Composite (+1,62%), Stoxx 600 (-0,82%), Ibovespa (-1,45%)

Os investidores pesam a possibilidade de uma recessão nos EUA e a volatilidade continua em Wall Street. As reivindicações de seguro-desemprego se aproximaram a uma máxima de cinco semanas, enquanto a atividade fabril e do setor de serviços nos EUA esfriou em junho. Durante o dia, a dirigente do Fed Michelle Bowman se disse partidária de um aumento dos juros novamente em 75 pontos base em julho e em mais meio ponto depois disso.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: Confiança do consumidor dos EUA - Universidade de Michigan dos EUA, Venda de Casas Novas/Mai

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Europa: Zona do Euro (Cúpula de Líderes da UE); Reino Unido (Vendas no Varejo/Mai), Alemanha (Índice Ifo de Clima de Negócios/Jun), Espanha (PIB/1T22)

América Latina: Brasil (Confiança do Consumidor FGV/Jun, IPCA-15/Jun, Transações Correntes/Mar, Fluxo Cambial Estrangeiro); México (Atividade Econômica/Abr)

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Bancos centrais: Boletim Trimestral do BoE. Pronunciamentos de James Bullard (FOMC/Fed), Elizabeth McCaul (BCE) e Huw Pill (BoE)

(Com informações da Bloomberg News)

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Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.