Mercados

Ibovespa recua com exterior digerindo falas de presidente do Fed; dólar sobe

Sessão é de cautela nos mercados, em meio às preocupações com a inflação e com o aperto monetário agressivo por parte dos bancos centrais

Ontem. o presidente do Fed disse que o banco central dos EUA “não hesitará” em apertar a política monetária além do neutro para conter a alta inflação.
18 de Maio, 2022 | 10:25 AM

Bloomberg Línea — Após uma sessão de otimismo nos mercados, um sentimento negativo toma conta das bolsas globais nesta quarta-feira (18). Por aqui, o movimento não era diferente, com queda de 0,73% do Ibovespa (IBOV) em meio às preocupações dos investidores com o aumento nos preços ao redor do mundo.

PUBLICIDAD

Ontem (17), o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, disse que o banco central dos Estados Unidos “não hesitará” em apertar a política monetária além do neutro para conter a alta inflação, alimentando temores de que taxas mais altas possam levar a economia a uma recessão.

Entre as commodities, a sessão era de alta para o petróleo, com o barril negociado próximo dos US$ 114. Já o minério de ferro recuou na China, contribuindo para uma queda de 1,6% das ações da Vale (VALE3) por volta das 10h20, horário de Brasília

PUBLICIDAD

Confira o desempenho dos mercados nesta quarta-feira (18):

  • Por volta das 10h20 (horário de Brasília), o Ibovespa recuava 0,73%, aos 107.957 pontos;
  • O dólar à vista tinha leve alta e era negociado a R$ 4,95;
  • Entre os contratos de juros futuros, o DI para 2025 subia quatro pontos-base, a 12,44%;
  • Nos EUA, os índices futuros operavam em queda: o futuro do Dow Jones cedia 0,8%, o do S&P 500 caía 1,05%, enquanto o da Nasdaq tinha baixa de 1,42%;
  • Na Europa, o movimento também era de baixa: o índice CAC-40, de Paris, caía 0,72%, enquanto o índice Dax, da Alemanha, recuava 0,54%;

Contexto

As preocupações com a forte pressão inflacionária tomavam conta dos mercados nesta quarta. Os últimos balanços corporativos de varejistas nos EUA destacaram o impacto dos preços mais altos no primeiro trimestre: a Target Corp. (TGT) caía mais de 20% no pré-mercado após a companhia reduzir sua previsão de lucro devido a um aumento nos custos, enquanto a TJX Companies (TJX) recuava 4,8% após perda de lucros.

PUBLICIDAD

O S&P 500 está emergindo da maior queda semanal desde 2011, mas a recuperação do sentimento de risco está se mostrando frágil em meio ao aperto nas configurações monetárias, à guerra da Rússia na Ucrânia e aos bloqueios de covid na China. Em algumas de suas observações mais agressivas até o momento, Powell disse que o banco central dos EUA aumentará as taxas de juros até que haja evidências “claras e convincentes” de que a inflação está recuando.

Os dados mais recentes da Europa não ofereceram nenhuma garantia. As vendas de veículos novos encolheram pelo 10º mês consecutivo, enquanto o setor continua atolado em crises na cadeia de suprimentos, ao passo que a inflação da zona do euro atingiu um recorde. Os rendimentos da maioria dos títulos europeus subiram com os traders aumentando as apostas no aperto do Banco Central Europeu.

Enquanto isso, a inflação no Reino Unido atingiu seu nível mais alto desde que Margaret Thatcher foi primeira-ministra há 40 anos, aumentando a pressão por ação do governo e do banco central. A libra enfraqueceu com os traders especulando que o Banco da Inglaterra lutará para conter os preços e evitar uma recessão.

PUBLICIDAD

-- Com informações da Bloomberg News

Leia também:

Devo vender minhas ações? Pregões de baixa assombram investidor de varejo

Últimas BrasilBloomberg LíneaAçõesIbovespaJurosDólar
Mariana d'Ávila

Mariana d'Ávila

Redatora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.

PUBLICIDAD