Green

6 líderes de transformação na Ciência, Tecnologia e Política Climática

No ensejo do Bloomberg Green Summit 2022 decidimos revisitar alguns dos líderes mais eficazes identificados nos últimos meses

Cientista inuit e líder de operações da SmartICE
Por Bloomberg News
01 de Maio, 2022 | 09:37 AM

Bloomberg — Aproveitando o ensejo do Bloomberg Green Summit 2022 desta semana decidimos revisitar alguns dos líderes mais eficazes identificados nos últimos meses. Alguns deles (Arreak, Baird e Moore) são palestrantes na cúpula; todos estão fazendo um trabalho que contribui para nossa compreensão das mudanças climáticas ou melhora as chances de que seremos capazes de diminuir – e conviver com – seus impactos.

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Andrew Arreak

Do outro lado do Ártico, o aquecimento está ocorrendo pelo menos duas vezes mais rápido do que no resto do mundo. No entanto, a ciência no Ártico, até recentemente, tendia a ignorar aqueles que vivem na linha de frente da mudança.

Andrew Arreak, um cientista inuit e líder de operações da SmartICE, está participando de uma nova onda de ciência climática informada pelo conhecimento e perspectiva inuit. O SmartICE rastreia as mudanças no gelo em 32 comunidades no norte do Canadá, incluindo a vila natal de Arreak, Pond Inlet, na Ilha Baffin.

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Quando Arreak sai em seu snowmobile, rebocando um sensor eletromagnético, ele mede a espessura do gelo enquanto viaja ou para para instalar uma “bóia inteligente” estacionária para transmitir dados constantes em tempo real. Um clima em constante mudança significa que as pessoas em sua comunidade não podem caçar ou viajar no gelo no início do inverno como costumavam.

“Eu tento educar as pessoas”, diz Arreak. “O clima está mudando e temos que estar atentos ao que estamos fazendo, para podermos aproveitar o que nossos avós ou nossos ancestrais desfrutaram. Porque não há nada pode ser melhor do que isso: estar ao ar livre” no gelo.

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– Danielle Bochove

Friederike Otto

Otto é cientista climática do Imperial College London e co-líder da World Weather Attribution, uma colaboração de pesquisa que analisa rapidamente se ou como as mudanças climáticas pioraram ainda mais o clima extremo – tornando-o mais intenso, mais provável ou mais mortal. É um esforço pequeno, ágil e – devido à atual falta de financiamento – principalmente voluntário, criado para levar a ciência para além dos muros da academia e informar um público curioso, quando as mudanças climáticas os afetam da maneira mais direta e pessoal. Também está começando a ajudar os tribunais a responder à pergunta mais direta: quem, especificamente, é responsável?

A WWA realizou mais de 40 análises nos últimos anos, respondendo a perguntas específicas sobre o impacto das mudanças climáticas no clima com números ainda mais específicos. Uma seca na África do Sul em 2015-2016 foi potencializada três vezes mais do que em circunstâncias normais devido à falta de chuva. Quando o furacão Harvey atingiu o Texas em 2017, sua precipitação foi 15% mais intensa e cerca de três vezes mais provável de ocorrer. A onda de calor siberiana que ganhou as manchetes do ano passado? Isso passou a ser 600 vezes mais provável em nosso novo clima.

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Otto está desbravando um campo científico que não existia há uma década, depois de percorrer um caminho inusitado – um doutorado em filosofia.

“Sou definitivamente uma estranha”, diz ela. “Eu não sabia como avaliar um modelo climático. Eu não conhecia as pessoas que eram altamente consideradas na comunidade. Eu simplesmente não percebi quando desconsiderei a sabedoria convencional. E como eu não conhecia a comunidade, não me importava com o que pensavam sobre mim, pelo menos no começo.”

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— Eric Roston

Donnel Baird

Baird é o CEO e fundador da BlocPower, uma empresa de tecnologia climática em Nova York comprometida com a descarbonização das cidades americanas, tornando os edifícios mais eficientes em termos de energia. Desde a sua fundação em 2014, a BlocPower adaptou mais de 1.000 edifícios e diz que seus clientes normalmente têm uma redução de 20% a 40% em suas contas de energia. Seu objetivo é tornar mais verdes 125 milhões de edifícios nos Estados Unidos. Baird pretende alcançar isso de maneira equitativa e inclusiva, garantindo que as comunidades pobres recebam tanta atenção e empregos quanto as áreas mais ricas.

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“Nós realmente queremos entrar em prédios abandonados, antigos e de difícil acesso, como o brownstone no Brooklyn, onde cresci”, diz ele. “Foi construído há cem anos e nem sequer tinha um sistema de aquecimento funcionando. Existem milhões de prédios como esse em todo o país – mais antigos, financeiramente carentes e incapazes de pagar por uma engenharia verde.”

— Sojourner Elleby

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Lauren Salz

Enquanto a Baird se concentra em edifícios com várias unidades, Lauren Salz quer aumentar a eficiência energética de residências isoladas. Para os proprietários de casas americanas, a climatização de suas residências para minimizar a perda de energia e a substituição de aparelhos alimentados por combustível fóssil e aquecedores de água por bombas de calor elétricas é caro e pode ser difícil de vender. É aí que entram Salz e a startup que ela cofundou, Sealed.

Para persuadir os proprietários a fazer essas melhorias caras, mas em grande parte invisíveis, a Sealed financia atualizações de climatização e eficiência energética e coordena empreiteiros. Os pagamentos dos proprietários são baseados em suas economias de energia. “Se você não economizar energia, não ganhamos dinheiro”, diz Salz, ex-analista de investimentos da McKinsey & Co. “Estamos apostando em grandes reduções no uso de energia das residências para que haja um forte alinhamento de interesse entre nós e o cliente em recomendar as melhorias adequadas e os melhores empreiteiros.”

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A empresa acumulou um banco de dados de diferentes tipos de casas que passaram por atualizações ao longo do tempo. Quando a Sealed cadastra um cliente, ela realiza uma auditoria de energia e usa o que Salz chama de modelo de aprendizado de máquina preditivo para prever as prováveis economias de energia geradas pelos ajustes e melhorias sob várias condições climáticas.

—Todd Woody

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Jigar Shah

Shah está intimamente familiarizado com os altos e baixos da indústria de tecnologia limpa. Ele fundou a SunEdison, uma antiga gigante solar que declarou falência em 2016 (muito depois de sua saída), e co-fundou a Generate, uma empresa de financiamento de energia limpa. Agora ele lidera a operação de investimento pouco conhecida do Departamento de Energia dos EUA, o Loans Program Office, LPO (Escritório de Programas de Empréstimo, em português) que se concentra em apoiar tecnologias limpas inovadoras no início do desenvolvimento comercial.

O LPO foi extremamente influente há cerca de uma década, ajudando a impulsionar veículos solares e elétricos, mas depois o escritório passou um tempo sem muita atividade. Mas dada a autoridade de empréstimo que o escritório acumulou – com mais de US$ 40 bilhões disponíveis para emprestar – o LPO pode se tornar uma ferramenta mais importante na luta contra as mudanças climáticas se o Congresso não conseguir aprovar a maior parte das disposições climáticas na legislação Build Back Better dos democratas.

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“Quando se pensa sobre o impacto de trilhões de dólares que tivemos com a energia solar, eólica e nos veículos elétricos, acho que as pessoas não reconhecem muito o papel que o LPO teve no processo”, diz Shah. “Há uma tendência de pensar, ‘Bem, é claro que eles fizeram. Isso ia acontecer de qualquer maneira.’ Sério? Isso realmente iria acontecer de qualquer maneira?”

— Brian Eckhouse

Rebecca Moore

Na região de Ferlo, no Senegal, as mudanças climáticas estão dificultando cada vez mais o acesso dos pastores à água para o gado. Na Amazônia peruana, as tribos indígenas devem estar sempre alertas para afugentar os madeireiros ilegais. Em Los Angeles, os planejadores da cidade estão lutando para descobrir a melhor forma de plantar 90.000 árvores para ajudar a resfriar os bairros mais quentes.

Para resolver esses problemas, os três grupos contam com um braço pouco conhecido do Google que trabalha em estreita colaboração com defensores do meio ambiente em todo o mundo.

Rebecca Moore comanda a equipe de cientistas por trás do Google Earth Engine, um vasto acervo de imagens de satélite de código aberto aumentadas com software de análise de dados. A intenção é “permitir que os cientistas analisem facilmente os dados e façam perguntas sobre como o clima está mudando e respondam em segundos ou minutos em vez de anos”, diz Moore.

A engenheira de software atribui sua propensão a defender a causa climática às suas quase duas décadas no Google. Quando a empresa a contratou em 2005, ela havia saído recentemente nos jornais dos Estados Unidos por usar mapeamento por satélite para inviabilizar um projeto de extração de madeira proposto perto de sua propriedade nas montanhas de Santa Cruz, ao sul de São Francisco, que poderia ter causado danos significativos a uma bacia hidrográfica protegida.

Muitos dos fãs do Earth Engine temem que o Google possa retirá-lo ou começar a cobrar de acadêmicos e ativistas além do que poderiam arcar. Moore diz que isso não vai acontecer. Mas se isso acontecer, seria um sofrimento generalizado. Gilberto Câmara, um ativista no Brasil que monitora a Amazônia, diz que seu campo pode ser medido claramente em termos do trabalho de Moore. “É um marco para nós”, diz ele, “antes e depois do Google Earth Engine.”

— Leslie Kaufman

– Esta notícia foi traduzida por Marcelle Castro, Localization Specialist da Bloomberg Línea.

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