Mercados

Cautela pavimenta o caminho dos mercados, que recuam na Europa e nos EUA

Mercados estão no aguardo da reunião do BCE e de novos dados sobre inflação nos EUA; menor expectativa de receitas corporativas também induz à prudência

As variáveis que orientarão os mercados
08 de Junho, 2022 | 08:41 AM

Barcelona, Espanha — (Esta é a versão atualizada e ampliada da notícia publicada originalmente às 6h31)

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A cautela continua marcando o passo dos mercados financeiros em uma manhã de correção. Depois do fechamento positivo de ontem nas bolsas dos Estados Unidos, os contratos futuros de índices deste país e as bolsas europeias encadeiam perdas. O petróleo prossegue em sua trajetória ascendente e os títulos soberanos perdem valor ao evidenciar prêmios mais altos - os bônus de 10 anos do Tesouro norte-americano estão de volta no patamar dos 3%.

🎯 Centro das atenções. São dois os eventos que ditam prudência aos investidores nesta semana. A primeira é a reunião de amanhã do Banco Central Europeu (BCE), que deve dar um giro de posicionamento e tomar as rédeas para domar uma inflação galopante - mais de quatro vezes acima da meta de 2% para o ano. O BCE deverá reduzir trilhões de euros de compras de ativos em um prelúdio para um aumento de taxas em julho, o que, se confirmado, marcará o fim de um ciclo de oito anos de taxas de juros negativas.

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E na sexta-feira tem o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos - de novo a inflação -, dado ansiosamente aguardado pelos operadores, à caça de pistas para prever como o Federal Reserve (Fed) conduzirá o ciclo de alta dos juros sem danificar o crescimento econômico. Espera-se que os dados mostrem uma aceleração dos preços frente ao mês passado, mas um pouco mais lenta em relação a um ano atrás.

👎 Pessimismo no ar. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) disse esta manhã esperar que a economia global se desacelere bruscamente para cerca de 3% este ano e 2,8% em 2023. Trata-se de uma redução de 1,5 ponto em relação à previsão de dezembro, quando a OCDE estimou um aumento de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) global este ano.

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O tom do organismo europeu está em consonância com o do Banco Mundial, que ontem fez soar o alarme com menores projeções de crescimento para este ano e um alerta para a possibilidade de estagflação, um fenômeno que ocorre quando há uma mistura de alta inflação e crescimento econômico praticamente nulo. O BIRD reduziu a 2,9% sua estimativa de crescimento global para 2022, abaixo da previsão de 4,1% de janeiro e da estimativa feita em abril, de 3,2%.

✂️ Alerta corporativo. No front empresarial, saem algumas notícias desanimadoras. O Credit Suisse Group AG avalia nova rodada de cortes de empregos, uma medida para reduzir custos depois do alerta de um segundo trimestre de perdas, de acordo com a Bloomberg, citando fontes a par do assunto. As demissões pelo banco suíço se dariam em todas as divisões, incluindo bancos de investimento e gestão de riqueza em diferentes regiões. O cenário econômico turvo, com retração do consumo, levou a rede varejista Target a revisar ontem, pela segunda vez em poucas semanas, as projeções para suas receitas.

🆙 Mais juros em alta.O banco central da Índia foi o último a se somar à campanha de aumento dos juros dos bancos centrais mundiais. Subiu o seu juro de referência pelo segundo mês consecutivo em 0,50 ponto percentual, para 4,90%. Dos 41 economistas em uma pesquisa da Bloomberg, 17 esperavam um aumento desta magnitude, enquanto os demais calculavam um acréscimo de 0,25 ponto. Este foi o maior incremento aplicado pelo banco central indiano em mais de uma década. Ontem, a autoridade monetária da Austrália surpreendeu com o seu maior aumento de taxas em 22 anos - alta de 0,50 ponto percentual, para 0,85%.

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Um retrato dos mercados na manhã de quarta-feiradfd

🟢 As bolsas ontem: Dow Jones Industrial (+0,80%), S&P 500 (+0,95%), Nasdaq Composite (+0,94%), Stoxx 600 (-0,28%), Ibovespa (-0,11%)

As bolsas norte-americanas deram sequência aos ganhos da segunda-feira e seus três principais índices fecharam em alta, amparados pela esperança de que o Fed conseguirá controlar a inflação sem desencadear uma recessão econômica. As ações conseguiram se recuperar do sentimento de risco gerado pelos prognósticos pessimistas do Banco Mundial e da queda das ações da Target. A varejista arrastou para baixo o setor de consumo após cortar, pela segunda vez em três semanas, suas perspectivas de ganhos.

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Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: Juros e Pedidos de Hipotecas MBA, Vendas no Atacado/Abr, Atividade das refinarias de Petróleo - EIA

Europa: OCDE divulga relatório bianual sobre as principais tendências econômicas globais e perspectivas para os próximos dois anos. Zona do Euro (PIB/1T22, Variação no Emprego/1T22); Alemanha (Produção Industrial/Abr, PMI de Construção/Mai); Reino Unido (Índice de Preços de Imóveis Halifax/Mai); França (Balança Comercial/Abr); Espanha (Confiança do Consumidor); Itália (Vendas no Varejo/Abr)

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América Latina: Brasil (IGP-DI/Mai, Índice de Evolução de Emprego do CAGED/Abr, Confiança do Consumidor Reuters-Ipsos/Jun, Balança Comercial/Mai); Chile (Inflação/Mai; Relatório de Política Monetária); Argentina (Turismo Internacional/Abr)

Bancos centrais: Decisão sobre juros do banco central da Índia. Discurso de Sabine Mauderer (Bundesbank)

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📌 Para a semana:

• Quinta-feira: Decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e entrevista de sua presidente, Christine Lagarde. Dados sobre comércio e empréstimo da China.

• Sexta-feira: EUA: IPC e Sentimento do Consumidor da Universidade de Michigan. Índices de Preços ao Produtor e ao Consumidor da China

--Com informações da Bloomberg News

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Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.

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