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ESG

CEO diz que machismo no setor financeiro piorou

Comentários escancarados surpreenderam Amanda Blanc, que foi duramente criticada na assembleia geral da Aviva por acionistas

Após 30 anos no setor em meio a comentários misóginos, ela já se acostumou com a situação
Por Will Louch e Olivia Konotey-Ahulu
16 de Maio, 2022 | 09:05 am

Bloomberg — A CEO da Aviva, Amanda Blanc, disse que o sexismo com que se depara piorou à medida que ela subiu na hierarquia das finanças.

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Blanc se tornou a primeira executiva-chefe mulher da seguradora em julho de 2020, mas enfrentou uma série de comentários ofensivos de acionistas na assembleia anual da empresa listada no FTSE 100 na segunda-feira (9). As ofensas incluíram acionistas dizendo a Blanc que ela “não era o homem certo para o cargo” e questionando se ela deveria estar “usando calças”.

Blanc respondeu aos comentários em um post no LinkedIn, no qual afirmou que, depois de trabalhar no setor de serviços financeiros por mais de 30 anos, estava “bastante acostumada a comentários sexistas e depreciativos”, como os que foram feitos na assembleia.

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“Acho que depois de ouvir a mesma retórica preconceituosa por tanto tempo, isso nos torna um pouco imune”, disse Blanc no post. “Gostaria de poder dizer que as coisas melhoraram nos últimos anos, mas é justo dizer que isso realmente aumentou – quanto mais sênior o cargo que assumi, mais descarado esse comportamento inaceitável.”

Ela disse que geralmente os comentários depreciativos eram feitos a portas fechadas e o fato de estarem fazendo esses comentários em público era um novo acontecimento para ela.

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Blanc tornou-se embaixadora das mulher em finanças do governo britânico em março do ano passado, como parte de uma iniciativa para instar as empresas do setor a se comprometerem a aumentar a diversidade de gênero. A indústria de serviços financeiros levará mais 30 anos para alcançar a paridade de gênero nos níveis seniores, de acordo com pesquisa publicada pela Women in Finance Charter em 2022.

Blanc é uma das poucas mulheres CEOs das empresas de capital aberto na Europa, com apenas 7% das companhias nas nações mais ricas da região lideradas por mulheres, de acordo com relatório da European Women on Boards, ou EWoB, em janeiro. Em 2021, apenas oito organizações promoveram mulheres ao cargo mais alto.

Hedwige Nuyens, presidente do EWoB, comentou em resposta à declaração de Blanc no LinkedIn na quarta-feira (11): “Isso tem que acabar. É vergonhoso, inaceitável. Vamos focar nas pessoas que realmente importam, trazendo valor agregado para a empresa como stakeholders responsáveis.”

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Escândalos de sexismo explodiram no setor de serviços financeiros nos últimos anos. O setor de seguros está sob escrutínio especial sobre como as funcionárias são tratadas.

Uma investigação da Bloomberg de 2019 descobriu evidências de assédio sexual endêmico no Lloyd’s of London, o mercado de seguros mais antigo do mundo, incluindo comentários inadequados, toques indesejados e agressão sexual. No início deste ano, o Lloyd’s multou a Atrium Underwriters em mais de um milhão de libras por não resolver queixas de assédio e bullying.

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