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China negocia compra de petróleo russo para reserva estratégica

Guerra na Ucrânia deu uma oportunidade para o país reabastecer a baixo custo suas vastas reservas estratégicas

Una bandera nacional china frente al Gran Bazar Internacional de Xinjiang en Urumqi, provincia de Xinjiang, China, el miércoles 12 de mayo de 2021
Por Anna Kitanaka
19 de Maio, 2022 | 09:23 AM

Bloomberg — A China procura reabastecer seus estoques estratégicos de petróleo com embarques mais baratos da Rússia, um sinal de que Pequim fortalece seus laços energéticos com Moscou, enquanto a Europa trabalha para proibir as importações devido à guerra na Ucrânia.

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Pequim está em negociações com Moscou para comprar suprimentos adicionais, de acordo com pessoas com conhecimento do plano que pediram para não serem identificadas. O petróleo seria usado para encher as reservas estratégicas da China, e as negociações são conduzidas em nível governamental com pouco envolvimento direto das petrolíferas, disse uma pessoa.

O petróleo subiu este ano após a invasão russa de seu vizinho menor, mas o preço de seu próprio petróleo despencou à medida que compradores se afastam para preservar sua reputação ou evitar serem varridos por sanções financeiras. Isso deu uma oportunidade para a China reabastecer a baixo custo suas vastas reservas estratégicas, que normalmente são usadas em tempos de emergências ou interrupções repentinas.

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Os ministérios das relações exteriores da China e da Rússia não responderam imediatamente a pedidos de comentários.

Detalhes sobre volumes ou termos de um possível acordo ainda não foram decididos, e não há garantia de que um acordo será concluído, disse uma pessoa.

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Os EUA e o Reino Unido comprometeram-se a proibir as importações de petróleo da Rússia e a União Europeia discute medidas semelhantes, mas o petróleo do produtor da Opep+ ainda flui para quem quer comprar, incluindo Índia e China. Para as nações asiáticas, o petróleo fortemente descontado é uma oportunidade boa demais para deixar passar, parte do motivo pelo qual a China continua a receber cargas originárias do Irã e da Venezuela.

As refinarias na China vem comprando petróleo russo desde a invasão, mesmo com o ressurgimento da Covid-19 afetando o consumo. A demanda aparente por petróleo no mês passado caiu 6,7% contra o mesmo período no ano passado, com lockdowns rigorosos confinando milhões em suas casas. O surto limitou novas altas nos preços, mas o Brent, petróleo de referência mundial, já subiu cerca de 40% este ano.

A China não divulga o tamanho de seus estoques de petróleo, mas várias empresas usam ferramentas como satélites para estimar os suprimentos. Alguns preveem que o país tem capacidade para armazenar mais de 1 bilhão de barris de estoques comerciais e estratégicos combinados. As estimativas de terceiros também indicam que os suprimentos incharam recentemente devido ao surto de Covid-19.

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