Finanças pessoais

Vale a pena? Bancos cobram taxas de até 3% por fundo de uma única ação

Fundos de investimento mono ação podem ser bons para os gestores, mas são amargos para o investidor, mostra levantamento da Spiti

Produtos somam um pouco mais de 247 mil cotistas e têm um patrimônio líquido da ordem de R$ 8,5 bilhões.
29 de Abril, 2022 | 04:43 AM

Bloomberg Línea — Com investidores em busca de produtos para surfar a forte valorização das commodities, alguns podem surgir como interessantes para iniciantes no mercado financeiro, mas acabam sendo amargos, com altas taxas de administração corroendo o retorno ao longo do tempo. É o caso dos fundos do tipo “mono ação” de blue chips como Vale e Petrobras, segundo um levantamento da casa de análise de investimentos Spiti.

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O relatório, com base em dados da Quantum Finance, mostra que há 38 fundos mono ação da Vale (VALE3) e da Petrobras (PETR4) no mercado brasileiro. Os produtos, que juntos têm receita superior a R$ 130 milhões em 12 meses, somam um pouco mais de 247 mil cotistas e têm um patrimônio líquido da ordem de R$ 8,5 bilhões.

Esses fundos possuem apenas uma ação no portfólio, cobram altas taxas de administração, não têm gestão ativa e não são considerados interessantes do ponto de vista da diversificação da carteira, dada a forte exposição a uma única estratégia, segundo a casa.

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Em 2022, em meio à alta do petróleo e do minério de ferro, as ações dessas companhias entregaram retornos de 19,7% e 18,8%, respectivamente, até 13 de abril, data de corte do levantamento. No entanto, apenas um entre os dez principais fundos mono ações do mercado conseguiu atingir a mesma rentabilidade da sua respectiva ação.

O Itaú Vale FIC Ações, por exemplo, lançado em 20 de fevereiro de 2002, cobra uma taxa de administração de 3% e rendeu 2.797% nesses pouco mais de 20 anos. O retorno não é desprezível, mas o papel VALE3 entregou 4.688% de valorização no mesmo período para o acionista. O fundo capturou pouco menos de 60% da alta da ação.

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Com o BB Petrobras FI Ações, lançado em 22 de agosto de 2000 com e taxa de administração de 2%, o resultado é semelhante: rentabilidade de 608,4% no período ante ganhos de 1.164% da ação PETR4.

“Com o discurso de praticidade, os bancos colocam no caixa cerca de R$ 130 milhões por ano somente com os fundos mono ação de Petrobras e Vale”, diz Luciana Seabra, CEO da Spiti e analista de fundos, em nota. “E isso sem fazer absolutamente nada, pois a gestão é passiva.”

Confira abaixo a tabela com os principais produtos:

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Mariana d'Ávila

Mariana d'Ávila

Redatora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.

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