Saúde

Covid: Subvariantes da ômicron evitam anticorpos de infecções anteriores

Novas linhagens BA.4 e BA.5 da variante ômicron foram descobertas na África do Sul em abril

No entanto, número de óbitos ainda não sofreu aumento expressivo
Por Antony Sguazzin
02 de Maio, 2022 | 11:56 AM

Bloomberg — As novas subvariantes da ômicron mostraram a capacidade de evitar anticorpos de infecções e vacinas anteriores, segundo estudo de laboratório sul-africano.

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As descobertas podem indicar uma nova onda de infecções com as subvariantes BA.4 e BA.5 da variante ômicron que foram descobertas este mês na África do Sul.

Amostras de sangue de pessoas infectadas com a variante ômicron original registraram uma queda de quase oito vezes na produção de anticorpos neutralizantes quando testadas contra as subvariantes BA.4 e BA.5, mostrou o estudo, liderado pelo Africa Health Research Institute da África do Sul.

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Amostras de pessoas vacinadas mostraram uma diminuição de cerca de três vezes, de acordo com o estudo.

“Baixos níveis absolutos de neutralização das subvariantes BA.4 e BA.5, particularmente no grupo não vacinado, provavelmente não protegem bem contra infecção sintomática”, disseram os pesquisadores no estudo, que ainda não foi revisado por pares. “Isso pode indicar que, com base na fuga da neutralização, a BA.4 e a BA.5 podem causar uma nova onda de infecção.”

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Os resultados do estudo foram divulgados em meio a uma nova onda de infecções na África do Sul, que foi o primeiro país a ter uma onda de casos causados pela ômicron depois que a variante foi identificada pela primeira vez no país e no vizinho Botswana.

No sábado (30), a África do Sul registrou 6.527 novos casos e uma taxa de positividade do teste de 21,5%. Isso se compara com 581 casos e uma taxa de positividade de 4,5% em 28 de março.

Medimos a imunidade contra as variantes #ômicron BA.4 e BA.5 por pessoas infectadas com a ômicron original (BA.1). Resultados consistentes com essas variantes formando a próxima onda de infecção. Manuscrito submetido ao medRxiv e disponível em [link]

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Embora as hospitalizações estejam aumentando gradualmente, não houve aumento perceptível nas mortes, disse Waasila Jassat, especialista em saúde pública do Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul, na sexta-feira (29).

O estudo utilizou amostras de 24 pessoas infectadas com a variante ômicron original, mas não vacinadas. E também testou as subvariantes contra amostras de 15 pessoas vacinadas, oito das quais receberam vacinas da Pfizer (PFE) e sete que tinham recebido vacinas da Johnson & Johnson (JNJ).

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O laboratório do Africa Health Research Institute, que fica em Durban e é dirigido por Alex Sigal, foi o primeiro a testar a variante ômicron original contra amostras de sangue, mostrando que a vacina da Pfizer era menos eficaz contra ela que variantes anteriores.

Com mais de 100 mil mortes oficiais por covid-19 e três vezes mais se considerarmos o excesso de dados de óbitos, a África do Sul é o país mais afetado do continente. Ainda assim, a maioria dos países africanos tem sistemas de saúde fracos que não identificam a maioria das infecções nem atribuem com precisão as causas da morte.

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--Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

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