Mercados

Cresce receio de tradings globais com os riscos da guerra vindo à tona

Será que o setor de commodities aguentaria mais choques de preços que certamente afetariam os bancos, amplamente expostos ao setor?

Bolsa será revisada
Por Archie Hunter
26 de Abril, 2022 | 01:23 PM

Bloomberg — O mundo das grandes tradings de commodities sempre foi reservado. Os mercadores que compram e vendem os recursos naturais do mundo têm um enorme alcance global, mas são na maioria empresas de capital fechado e tendem a operar longe da visão pública e regulatória.

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De repente, parece que todo mundo está falando – e se preocupando – com eles.

O Fundo Monetário Internacional mencionou na semana passada a preocupação de investidores sobre o acesso das tradings ao crédito e disse que é hora de os reguladores olharem mais de perto para os mercados de commodities.

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O Federal Reserve de Dallas recomendou que essas empresas tomem medidas para aumentar a liquidez. E o Financial Stability Board sinalizou tensões no mercado de commodities incluindo as enormes chamadas de margem que pressionaram operadores nas últimas semanas como um problema que precisa de atenção especial.

A disparada de preços após a invasão da Ucrânia pela Rússia gerou um aumento dramático nas exigências para de financiamento para empresas que movimentam petróleo, metais e safras em todo o mundo.

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As tradings utilizam os bancos para financiar suas remessas e como contraparte para posições de hedging. Há agora uma preocupação crescente de que novos choques nos mercados de commodities possam abalar o sistema financeiro mais amplo.

Com os holofotes sobre o comércio de commodities, aqui vai um resumo do que é preciso ficar de olho:

1. Quem está no foco?

A Glencore uma das poucas listadas em bolsa é a maior operadora e também uma grande mineradora. A Vitol é a principal comerciante independente de petróleo e a Trafigura lidera em cobre.

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O aumento nos preços das commodities após a invasão da Ucrânia aumentou a pressão sobre as tradings que já estavam sofrendo com a volatilidade após a pandemia e várias correram para arranjar linhas de crédito novas ou expandidas dos bancos. Um grupo de operadores europeus de energia pediu ao Banco Central Europeu um financiamento de emergência, mas foi recusado.

2. Por que todos estão tão preocupados?

As pressões sobre as próprias tradings são importantes: elas desempenham um papel vital em manter as engrenagens da economia real girando, além de fornecer liquidez ao mercado.

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Mas a dependência de crédito bancário para as enormes necessidades de financiamento do setor também significa que qualquer ameaça de calote pode se espalhar rapidamente pelo sistema financeiro mundial.

Outra área de foco crescente é o mercado de balcão de derivativos de commodities. Reguladores e bolsas têm limitado a visibilidade das posições negociadas, e a ameaça de chamadas de margem repentinas e maciças leva a uma maior participação de negócios fora das bolsas.

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3. E agora?

Houve uma avalanche de relatórios, cartas e comentários oficiais nas últimas semanas que refletem um foco crescente nos riscos em torno dos mercados de commodities e operadores .

O BCE pediu recentemente aos bancos sob sua supervisão mais informações sobre sua exposição a commodities.

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O FSB, que coordena o trabalho entre as autoridades financeiras em nível global, disse que uma avaliação das potenciais vulnerabilidades à estabilidade financeira terá um foco particular nos mercados de commodities, margens e alavancagem.

No Reino Unido, os reguladores disseram que vão revisar a London Metal Exchange após o caos do mercado de níquel do mês passado.

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4. O que vem a seguir?

A grande questão é se o setor de trading de commodities está preparado para futuros choques de preços, principalmente se os órgãos reguladores estiverem focando na extensão e concentração da exposição dos bancos ao setor.

O desafio para operadores é que qualquer apoio do governo provavelmente virá com restrições.

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