Bloomberg — Os funcionários do Banco Central do Brasil decidiram suspender as paralisações por enquanto, mas vão continuar a protestar por salários mais altos por meio de paralisações diárias de trabalho.
O sindicato que representa os trabalhadores da autarquia rejeitou uma proposta do governo de aumentar seus salários em 5% e insistiu em um aumento de 27%, propondo que esse ajuste seja feito em 1 de julho, e não retroativamente a 1 de janeiro, segundo um comunicado publicado na terça-feira (19). O comunicado diz ainda que a greve pode ser retomada no início de maio se as negociações falharem.
“Essa contraoferta reduz o impacto monetário de nossas demandas, então cabe no orçamento”, disse Fabio Faiad, presidente do sindicato do BC, em entrevista à Bloomberg News por telefone.
O Banco Central disse que não comentaria a decisão do sindicato. Um porta-voz da autarquia disse anteriormente que a instituição daria um aviso 24 horas antes de divulgar relatórios econômicos atrasados ou afetados pela greve. Isso inclui dados sobre os setores de crédito, fiscal e externo, além de uma pesquisa semanal sobre as expectativas dos economistas para inflação e taxas de juros.
Servidores públicos do Banco Central e do Ministério da Economia vêm realizando greves e paralisações de trabalho enquanto protestam contra anos de inflação que corroem seu poder de compra. Os preços ao consumidor no Brasil estão subindo mais de 11% ao ano, o ritmo mais rápido em duas décadas.
A proposta do presidente Jair Bolsonaro de aumentar em 5% os salários dos servidores públicos federais custaria aos cofres públicos R$ 6,3 bilhões este ano. Para tal, o governo precisaria implementar cortes profundos nos gastos atuais para não violar a regra do teto de gastos do país.
(Atualiza às 9h45 com comentários do BC)
– Esta notícia foi traduzida por Melina Flynn, Content Producer da Bloomberg Línea.
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