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Mercados

Ibovespa sobe e dólar cai após ata do Copom e exterior ensaiando recuperação

Investidores repercutem também dados do varejo em março e temporada de balanços corporativos no Brasil

Mercados ensaiam recuperação após fortes quedas no pregão anterior.
10 de Maio, 2022 | 11:06 am

Bloomberg Línea — Após forte sell-off no pregão anterior, os mercados ensaiam uma recuperação nesta terça-feira (10), com investidores à procura de barganhas nas bolsas ao redor do mundo. No Brasil, o Ibovespa (IBOV) iniciou a sessão em alta, enquanto o dólar recuava, negociado a R$ 5,12.

Por aqui, os investidores digerem hoje a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na qual o Banco Central elevou a taxa Selic para 12,75% ao ano. Na ata, a autoridade monetária reiterou o cenário de grande incerteza que implica pressões inflacionárias persistentes e prolongadas, dizendo que tal contexto exige uma continuidade do ciclo de aperto monetário.

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Na avaliação de Caio Megale, economista-chefe da XP, apesar de o Copom ter descrito como “provável” uma alta adicional de menor magnitude na próxima reunião, não pareceu se comprometer muito com tal sinalização. Segundo ele, a ata “provavelmente” sinalizou um ciclo perto do fim, mas deixou as portas abertas com relação aos próximos passos.

A agenda do dia conta ainda com dados do varejo brasileiro, que mostraram alta mensal de 1% em março, no terceiro aumento consecutivo do ano. Na comparação anual, o indicador avançou 4%.

Para Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, os dados de vendas no varejo surpreenderam positivamente. Ele destaca que o crescimento do mês foi puxado por equipamentos de escritórios, em um contexto de retomada do trabalho presencial pós-pandemia. Já a queda em termos anuais de alimentos, bebidas e fumo é um reflexo da inflação, diz.

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“A tendência agora é observar não tanto os dados de abril, dado que não é um mês tradicional de consumo, mas o mês de maio, que pode surpreender em alguns aspectos por conta do dia das mães. Isso abre uma inércia de crescimento para o fim do ano. Mantemos nossa projeção de crescimento do PIB de 1% este ano”, afirma.

A temporada de balanços corporativos também segue no radar. De acordo com a XP Análise, das 49 empresas que reportaram resultados até o momento, 44% vieram acima do esperado. Apesar disso, dado o cenário internacional de grande incerteza, permanece um fluxo de saída de capital estrangeiro da Bolsa. No acumulado de maio, o saldo é negativo em R$ 7,88 bilhões.

Confira o desempenho dos mercados nesta terça-feira (10):

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  • Por volta das 10h20 (horário de Brasília), o Ibovespa subia 0,60%, negociado aos 103.883 pontos;
  • O dólar à vista caía 0,77%, a R$ 5,12;
  • Entre os contratos de juros futuros, o DI para 2025 recuava 10 pontos-base, a 12,33%;
  • Nos EUA, os índices futuros subiam: o do Dow Jones avançava 1%, o do S&P 500 subia 1,47%, enquanto o Nasdaq tinha alta de 2,5%;
  • Na Europa, o movimento também era de recuperação: o índice Dax, da Alemanha, subia 2,33%, enquanto o CAC-40, de Paris, avançava 1,92%;

Cena externa

Nos Estados Unidos, os índices futuros dos EUA subiam à medida que os compradores emergiram das ruínas da derrota de segunda-feira. O sentimento, contudo, ainda é de cautela em meio às preocupações com a inflação e com o crescimento econômico.

Os traders estão presos entre uma inflação teimosamente alta, que corrói os valores dos ativos, e o aperto do banco central dos EUA que ameaça desacelerar o crescimento econômico, ou até mesmo empurrar alguns países para a recessão.

Dados recentes dos Estados Unidos, sugerindo que o Federal Reserve permanecerá em uma trajetória agressiva de alta de taxas, desencadearam a mais recente onda de negociações de risco. Novos surtos de covid na China e as medidas rigorosas do país para controlá-los pioraram o sentimento.

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“Por enquanto, os investidores precisam estar preparados para a volatilidade contínua”, escreveu Solita Marcelli, diretora de investimentos para as Américas da UBS Global Wealth Management, em nota.

-- Com informações da Bloomberg News

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Mariana d'Ávila

Mariana d'Ávila

Redatora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.

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