Mercados

Inflação alta e persistente põe em “modo On” aversão ao risco nos mercados

Investidores reduzem posições em ativos especulativos e priorizam refúgios como dólar e títulos soberanos

As variáveis que orientarão os mercados
12 de Maio, 2022 | 08:22 AM

Barcelona, Espanha — O tom nos mercados é marcado pela aversão ao risco. Nesta manhã, os mercados acionários operam no vermelho tanto na Europa como entre os futuros de índices nos Estados Unidos. E as criptomoedas, que constituem o melhor indicador da aceitação de risco do mercado, também caíam nesta manhã - ainda que o Bitcoin estivesse reduzindo a magnitude de sua queda.

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O mau humor nos mercados se deve sobretudo à inflação, cuja permanência em níveis elevados reforça os argumentos a favor de um aperto monetário mais rígido por parte do Federal Reserve (Fed). Os futuros indexados ao S&P 500 recuavam em torno do 0,5%, enquanto o declínio do Nasdaq superava o 1%. O europeu Stoxx 600 chegou a perder 2%, mas logo reduziu o ritmo de queda.

O dólar se recuperava pela sexta sessão consecutiva, apreciando-se em relação a um grupo de dez moedas, e já encosta no nível mais alto desde maio de 2020. Os títulos do Tesouro também ganhavam valor, evidenciando a busca dos investidores por refúgios financeiros. Walt Disney Co. declinava 5% nas negociações prévias à abertura das bolsas, após moderar suas perspectivas de crescimento.

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As moedas digitais caíam novamente, já que a demanda por ativos especulativos está se esfumando. Uma venda massiva em moedas digitais retirou mais de US$ 200 bilhões de riqueza do mercado em apenas 24 horas, de acordo com estimativas do site de rastreamento de preços CoinMarketCap. O amplo mergulho no sistema de criptomoedas, impulsionado pelo colapso da stablecoin TerraUSD, atingiu duramente os principais tokens. O Bitcoin caiu até 10% no último dia para seu nível mais baixo desde dezembro de 2020 (há pouco, retornava ao campo positivo, discretamente). A perda do Ethereum chegou a 16% no período e hoje a moeda digital seguia em baixa (-3,60% às 8h15 de Brasília).

Leia também o Breakfast, uma newsletter da Bloomberg Línea: Assombro no mundo cripto

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💦 Balde de água fria. A constatação de que a inflação persiste em níveis elevados decepcionou, e muito, o mercado. Um indicador-chave dos preços ao consumidor nos Estados Unidos subiu mais do que o previsto em abril na base mensal, evidenciando o peso da inflação sobre o poder aquisitivo e incitando o Federal Reserve a aumentar as taxas de juros agressivamente.

😑 Todos esperavam que os preços começassem a se estabilizar. Mas o núcleo do índice de preços ao consumidor, que exclui alimentos e energia, aumentou 0,6% em relação ao mês anterior e 6,2% em relação a abril de 2021, segundo dados de ontem. O IPC amplo subiu 0,3% em relação ao mês anterior e 8,3% na base anual, ainda entre as leituras mais altas em décadas. Em março, a taxa havia sido de 8,5%.

O movimento inflacionário induz à leitura de que, em vez de altas de 0,5 ponto percentual, o Fed carregue a mão no aumento dos juros para 0,75 ponto. E essa política acende o temor de uma recessão, já que as economias mundiais já estão sentindo o impacto da guerra entre Rússia e Ucrânia e as restrições de mobilidade na China devido ao Covid-19.

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📊 Sem muita ajuda macro. A agenda de dados macroeconômicos não tem força o suficiente para dissipar o medo nos mercados, que também foi negativo na Ásia. O dado mais relevante será o índice de preços ao produtor (IPP) dos EUA.

No vermelhodfd

🟢 As bolsas ontem: Dow Jones (-1,02%), S&P 500 (-1,65%), Nasdaq Composite (-3,18%), Stoxx 600 (+1,74%), Ibovespa (+1,25%)

A inflação foi a causa de mais um dia de perdas para os mercados norte-americanos. Apesar dos ganhos de terça-feira, a tendência de queda continua a dominar, pois os investidores estão pesando um crescimento econômico mais lento em meio a um alto custo de vida. Também afetou os negócios a declaração do presidente da Fed de Atlanta, Raphael Bostic, de que o banco central está pronto para “avançar” no aperto monetário se a inflação alta persistir.

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Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

• EE.UU.: IPP/Abr; Solicitudes Iniciales de Subsidio por Desempleo; Informe Mensual de la OPEP

• Europa: Alemania (Cuenta corriente); Reino Unido (PIB/1T22; Inversión Empresarial/1T22; Gastos Públicos; Producción de la Construcción/Mar; Producción Industrial; Índice del Sector Servicios; Balanza Comercial)

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• Asia: Japón (Balanza Comercial/Mar; Préstamos Bancarios/Abr); China (Nuevos Préstamos)

• América Latina: Brasil (Crecimiento del Sector Servicios/Mar); México (Producción Industrial/Mar); Argentina (IPC/Abr)

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• Bancos centrales: Discurso de Mary Daly (Fed). Resumen de opiniones del Banco de Japón

• Los balances del día: SoftBank, Siemens, Allianz, RWE, Telefónica, Affirm, Commerzbank

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📌 E para amanhã:

• EUA: Expectativas de Inflação a 5 anos - Univ. Michigan/Mai; Índice Michigan de Confiança do Consumidor/Mai; Preços de Bens Importados e Exportados/Abr

• Europa: Zona do Euro (Produção Industrial/Mar); Espanha (IPC/Abr)

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• Ásia: China (Investimento Estrangeiro Direto; PIB/1T22)

• América Latina: Brasil (IBC-Br; Fluxo Cambial Estrangeiro)

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• Bancos centrais: Discursos de Neel Kashkari e Loretta Mester (FOMC/Fed); Isabel Schnabel e Luis de Guindos (BCE)

• Balanços: Toshiba, Deutsche Telekom

--Com informações da Bloomberg News

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Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.

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