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Inter prevê para maio 1ª deflação do Brasil pós-pandemia

Preços ao consumidor devem ter alívio por conta da queda no preço da energia, estabilidade dos combustíveis e queda do dólar

Una torre eléctrica en Alemania
Por Josue Leonel
06 de Abril, 2022 | 02:42 PM

Bloomberg — O Brasil deve ter leve queda do IPCA em maio, na primeira deflação desde o início da pandemia, em maio de 2020, segundo Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter. Ela estima que a inflação irá recuar 0,2% no próximo mês diante do alívio no custo da energia com a recuperação dos reservatórios de água, e a consequente implementação da bandeira verde a partir do próximo mês. Atualmente, a bandeira está no patamar mais elevado de escassez hídrica. Em março e abril, os índices ainda devem seguir pressionados por fatores como a alta das commodities, provocada pela invasão da Ucrânia pela Rússia.

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Além da energia, a queda do dólar também deve atenuar a inflação em um momento em que o Banco Central deverá encerrar a alta de juros, com a Selic em 12,75% em maio. “A sinalização do BC de que vai parar o aumento de juro faz mais sentido hoje e o câmbio contribui para isso”, afirma Rafaela.

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Com o alívio do câmbio, os preços locais dos combustíveis já estão com prêmio de cerca de 5% sobre o mercado internacional, segundo a economista. Isso significa que os combustíveis não devem mais aumentar e têm espaço até para cair, mantidas as condições atuais.

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O Banco Central tem sinalizado que a inflação deve atingir seu pico em abril e que a taxa de juros não deve ter um aumento adicional em junho, após ser elevada para 12,75% em maio, provavelmente encerrando o ciclo de aperto monetário. Rafaela diz que considerou um dólar a R$ 5,00 em suas projeções, o que significa que o alívio na inflação poderá ser maior se a moeda sustentar os níveis atuais, em torno de R$ 4,70. “A valorização do real ajuda a amenizar o impacto da alta das commodities e também dos bens industriais”, diz. “Estamos vendo um fluxo forte no câmbio”.

O avanço das commodities também favorece a melhora das contas públicas, outro fator que contribui para a apreciação do real. Entretanto, o potencial aumento dos gastos no período eleitoral é uma ameaça ao resultado fiscal este ano. “Existem fundamentos por trás da melhora do mercado, mas ainda temos riscos.”

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