Mercados

Queda do petróleo alivia temor de inflação mais alta e levanta mercado acionário

Cotação do petróleo recua ante expectativa de que a OPEP+ aumente sua produção; mercados aguardam dados de emprego nos EUA para inferir qual será a política do Fed

As variáveis que orientarão os mercados
02 de Junho, 2022 | 08:46 AM

Barcelona, Espanha — (Esta nota atualiza a matéria publicada inicialmente às 7h03)

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Petróleo, emprego, inflação: essa é a tríade que orientará os mercados hoje. Enquanto os preços do petróleo diminuíam, atenuando o medo de uma inflação ainda mais elevada, os contratos indexados ao S&P 500 e ao Nasdaq subiam. Os títulos do Tesouro norte-americano com 10 anos de prazo recuperavam valor, mas com prêmios ainda elevados (2,91%).

Na Europa, o índice Stoxx 600 era puxado para cima pelos setores de construção e de consumo, compensando a queda dos papéis de energia. Os volumes de negociação estarão inferiores à média pelo feriado no mercado britânico (Jubileu de Platina da rainha Elizabeth II).

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↪️ Mudança de curso. Após um recente rali, o petróleo volta a cair. Esta manhã, o WTI era cotado abaixo dos US$ 113 por barril com as notícias sobre uma possível visita do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, à Arábia Saudita este mês. O reino estaria pronto para bombear mais petróleo bruto, caso as sanções impostas à Rússia comprometam a oferta da matéria-prima. A OPEP+ se reúne hoje para falar sobre um eventual aumento da produção. O encontro se dá em um momento crucial, de alta dos preços do petróleo em razão dos bloqueios, pela Europa, às importações de petróleo bruto da Rússia.

🇺🇸 A força do mercado de trabalho. Dados sobre o emprego nos EUA - vagas nas empresas privadas, compiladas pelo instituto ADP, e os pedidos iniciais de seguro-desemprego - darão mais uma idea de como a economia real vem se comportando - o ritmo de contratações continuará forte ou vai se moderar? Se o mercado de trabalho continuar aquecido, dará ao Fed argumentos para que aplique seu plano de aperto monetário sem o temor de esfriar sobremaneira a economia.

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🇪🇺 Pressão inflacionária. Os preços ao produtor na Zona do Euro continuam em ebulição. Subiram 37,2% em abril, contra 36,9% do levantamento anterior. Ainda assim, o que é uma boa notícia, ficaram abaixo do esperado pelos analistas, +38,4%, conforme dados desta manhã.

😶‍🌫️ A volatilidade permanece no ar. Diante de tanta incerteza e instabilidade, os mercados têm reagido negativamente até mesmo quando os dados macroeconômicos são positivos, já que reforçam a expectativa de que o Fed suba os juros mais agressivamente para domar a inflação. Ontem, por exemplo, o Institute Supply Management (ISM) mostrou que o índice PMI do setor de manufatura superou as expectativas: 56,1 pontos, melhor que os 54,5 calculados pelos analistas e acima da leitura de abril (55,4). Apesar de distante do máximo de 63,7 alcançado em março de 2021, o índice se mantém em níveis elevados historicamente e mostram uma demanda sólida.

→ Leia o Breakfast, uma newsletter da Bloomberg Línea: Alerta para furacão econômico

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Uma instantânea desta manhãdfd

🟢 As bolsas ontem: Dow Jones Industrial (-0,54%), S&P 500 (-0,75%), Nasdaq Composite (-0,72%), Stoxx 600 (-1,04%), Ibovespa (+0,01%)

As bolsas de valores dos EUA iniciaram o mês de junho no vermelho, atentas aos sinais de que o Fed ainda tem espaço para aumentar os juros sem esfriar a economia. O relatório ISM mostrou que a atividade manufatureira permaneceu sólida em maio, em 56,1 pontos, acima da leitura de abril de 55,4.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

• Feriado: Reino Unido

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• EUA: Reunião da OPEP, Demissões Anunciadas Challenger/Mai, Variação de Empregos Privados ADP/Mai, Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego, Encomendas à Indústria/Abr, Pedidos de Bens Duráveis Excl. Defesa/Abr, Atividade das refinarias de Petróleo - EIA

• Europa: Zona do Euro (IPP/Abr); Espanha (Variação no Desemprego)

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• Ásia: Japão (PMI de Serviços/Mai)

• América Latina: Brasil (IPC-Fipe/Mai; PIB/1T22; IPP/Abr; Fluxo Cambial Estrangeiro; Balança Comercial/Mai); México (Confiança do Consumidor); Argentina (Receita Tributária)

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• Bancos centrais: Discursos de Loretta Mester (Fed de Cleveland), Claudia Buch (vice-presidente do Bundesbank) e Joachim Wuermeling (Bundesbank)

📌 Para amanhã:

• Relatório de Emprego dos EUA em maio. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura libera seu índice mensal de preços de alimentos em um momento de máxima preocupação com o abastecimento global

--Com informações da Bloomberg News

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Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.

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