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Negócios

Mercado de SPAC acumula frustração com retornos ruins nos EUA

As garantias de SPAC, que detêm a promessa de enormes ganhos no futuro, hoje são negociadas por uma fração do valor visto um ano atrás

Um número recorde de 44 listagens planejadas de SPACs foram canceladas nos últimos três meses
Por Bailey Lipschultz
01 de Abril, 2022 | 05:05 pm

Bloomberg — Nos EUA, o mercado para companhias com propósito específico de aquisição só trouxe decepção no primeiro trimestre. Autoridades reguladoras estão mais rigorosas com novas ações emitidas pelas chamadas empresas de cheque em branco (também conhecidas pela sigla em inglês SPAC, referente a Special Purpose Acquisition Company). Além disso, o entusiasmo pelas ações existentes esfriou.

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O IPOX SPAC Index caiu 9,5% — o pior desempenho desde seu lançamento, em julho de 2020 — no último trimestre e acumula perda de 22% nos últimos três trimestres. Existem 610 companhias com propósito específico de aquisição em busca de negócio ou correndo contra o tempo para fechar algum acordo. Algumas transações já acertadas estão desmoronando. As garantias de SPAC, que detêm a promessa de enormes ganhos no futuro, hoje são negociadas por uma fração do valor visto um ano atrás.

Patrocinadores de peso estão cancelando planos para novas ofertas. E isso foi antes da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) anunciar planos para novas regras na quarta-feira, alertando que a época de abrir o capital de companhias privadas se valendo de previsões excessivamente otimistas ficou no passado.

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“Independentemente dessas novas propostas da SEC, o mercado de SPAC realmente está diminuindo”, disse Jay Ritter, professor da Universidade da Flórida que acompanha novas emissões. “Tivemos 54 IPOs de SPAC neste trimestre e seria chocante se esse nível for atingido em algum dos trimestres restantes do ano”, acrescentou ele, usando a sigla para initial public offerings (ofertas iniciais de ações).

Não é para menos. Papéis de SPACs que ainda estão de mãos vazias são negociados por menos do que têm em caixa. E as taxas de retorno para SPACs que completaram uma fusão são tenebrosas: queda de 27% no primeiro trimestre e de 65% em relação ao pico alcançado em 2021.

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“O fundo do poço ainda não foi atingido porque há muitas SPACs perseguindo muito poucos negócios, e isso acaba se resolvendo”, disse Matthew Tuttle, CEO da Tuttle Capital Management, que administra um índice que rastreia os retornos de SPACs. Se a SEC igualar o ambiente para IPOs tradicionais e SPACs, “pode ficar muito mais difícil a realização de negócios ruins”.

Um número recorde de 44 listagens planejadas de SPACs foram canceladas nos últimos três meses. Essas operações teriam arrecadado US$ 11,66 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg. Entre as que jogaram a toalha estão empresas de cheques em branco apoiadas por gente famosa como o veterano de Wall Street Ken Moelis e celebridades como o ex-jogador de futebol americano Eli Manning, do New York Giants.

Foram 15 fusões abortadas de SPACs no primeiro trimestre e mais de 30 no ano passado, de acordo com dados compilados pela SPAC Research de Chicago. Em parte, isso aconteceu porque as operações foram negociadas quando as perspectivas para SPACs e para a economia em geral eram mais otimistas.

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