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Mercados sobem em dia crucial com decisão do Fed e reunião de urgência do BCE

Renda variável e bônus recuperam valor em ambos lados do Atlântico; Na Europa, bolsas recebem o impulso de reunião extraordinária do BCE para evitar fragmentação no mercado de dívida do bloco

As variáveis que orientarão os mercados
15 de Junho, 2022 | 09:00 AM

Barcelona, Espanha — (Esta é a versão atualizada e ampliada da nota publicada originalmente às 6h59)

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O Federal Reserve (Fed) é o grande protagonista do dia com a definição, às 15h, sobre o rumo dos juros dos Estados Unidos. Mas o Banco Central Europeu (BCE) conseguiu seu momento de fama nesta manhã: anunciou uma reunião extraordinária para resolver a grande diferença de spread que se abriu entre os bônus da Zona do Euro.

💶 Antifragmentação. Na semana passada, quando o BCE deu o recado de que o remédio para combater a inflação serão juros mais elevados, o mercado sentiu falta de informações sobre que mecanismos se usaria para compensar o aumento do prêmio de risco de países que são mais vulneráveis a um encarecimento da dívida europeia, como Itália, Grécia, Portugal e Espanha. A falta de uma ferramenta para evitar uma fragmentação financeira, na hipótese de uma venda maciça de títulos, levou os spreads entre os bônus soberanos europeus a se alargarem.

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Como primeiro passo, os funcionários do BCE discutem uma estratégia mais ampla para proteger a integridade da região do euro, bem como a possibilidade de usar de forma mais flexível os reinvestimentos de seu programa de compra de ativos criado com a pandemia, disseram à Bloomberg pessoas familiarizadas com o assunto.

🇪🇺 Para evitar o pior. O encontro de emergência vem depois que o prêmio dos títulos de 10 anos da Itália subisse acima de 4% pela primeira vez desde 2014 na terça-feira, para citar um exemplo dentre os países periféricos europeus. Após a notícia sobre a reunião, o rendimento do título de referência italiano caiu 22 pontos base, a 3,95%. A expectativa de um respaldo do BCE fez com o spread entre os referenciais italiano e alemão caísse em torno de 320 pontos base, uma margem ainda desconfortavelmente ampla para o banco central, que precisa garantir condições minimamente uniformes a toda a união monetária.

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Dia crucial para o Fed

E para os investidores. Os últimos saltos nos preços ao consumidor e nas expectativas de inflação americana levam uma ala de Wall Street a considerar a possibilidade de um aumento mais pronunciado dos juros hoje, da ordem de 0,75 ponto percentual. Caso a projeção se confirme, será o maior aumento em uma reunião desde 1994. Outros operadores seguem apostando em um acréscimo de 0,5 ponto percentual. Mas a incerteza nos mercados é tanta que já há quem cogite uma alta de 1 ponto percentual.

✳️ É bom destacar que partes da curva de juros no mercado de bônus dos EUA permanecem invertidas, sinalizando preocupações de que a política monetária restritiva leve a uma retração econômica. Os títulos a 10 anos pediam um prêmio de 3,36%, enquanto os bônus de 5 anos e os com 2 anos de prazo embutiam taxas de 3,47% e 3,30%, respectivamente.

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Instantes atrás, o Stoxx 600 superava o 1% de alta, interrompendo uma série de seis dias de perda, enquanto o euro se fortalecia e os títulos da região ganhavam valor, com prêmios mais baixos. Os contratos indexados ao S&P 500 e Nasdaq 100 registravam ganhos antes da decisão crucial do Federal Reserve.

Um retrato dos mercados nesta quarta-feira, dia de decisão do Fed sobre jurosdfd
🟢 As bolsas ontem: Dow Jones Industrials (-0,50%), S&P 500 (-0,38%), Nasdaq Composite (+0,18%), Stoxx 600 (-1,26%), Ibovespa (-0,52%)

Os mercados acionários norte-americanos continuaram em alerta, com os investidores aguardando do Fed um aumento mais contundente dos juros. Os títulos do Tesouro tiveram, uma vez mais, seu pior declínio em décadas, com os prêmios dos bônus de dois anos no nível mais alto desde 2007. O receio dos investidores de uma estagflação está no seu ponto mais alto desde a crise financeira de 2008, enquanto a confiança no crescimento global caiu para um mínimo histórico, de acordo com a pesquisa do Bank of America Corp com gestores de fundos.

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Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: Estoques das Empresas/Abr, Índice Empire de Atividade Industrial/Jun, Vendas no Varejo/Mai, Índice de Compras MBA, Pedidos de Hipotecas MBA, Atividade das refinarias de Petróleo pela EIA

Europa: Zona do Euro (Produção Industrial/Abr; Balança Comercial/Abr); Alemanha (Índice de Preços por Atacado/Mai); França (IPC/Mai)

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Ásia: China (Operações de Liquidez, Dados sobre Empréstimos de médio prazo, Preços de Imóveis/Mai); Japão (Balança Comercial/Mai)

América Latina: Brasil (IGP-10/Jun)

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Bancos centrais: Decisões sobre juros pelo Fed (às 15h, seguida de entrevista do presidente Jerome Powell) e do Banco Central do Brasil (18h30). Pronunciamentos da presidente do BCE, Christine Lagarde, e do presidente do Bundesbank, Joachim Nagel

📌 Para a semana:

Quinta-feira: Decisão sobre juros do Banco da Inglaterra. Nos EUA: Venda de Casas Novas, Pedidos Iniciais de Seguro-Desemprego

Sexta-feira: Decisão sobre juros do Banco do Japão. IPC da Zona do Euro. EUA: Índice do Conference Board, Produção Industrial

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Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.

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