Negócios

Petrobras: Indicação de secretário de Guedes sofre oposição de empresários

Caio Paes de Andrade é visto como alguém competente, mas sem experiência na área de petróleo ou no comando de grandes empresas

Caio Paes de Andrade, secretário de Desburocratização do Ministério da Economia, durante a COP 26, em novembro de 2021
05 de Abril, 2022 | 08:22 PM

Bloomberg Línea — O nome de Caio Paes de Andrade, cotado para presidir a Petrobras (PETR4; PETR3), sofre oposição de lideranças do setor de óleo e gás, segundo um empresário ouvido pela Bloomberg Línea sob a condição de não ser identificado.

PUBLICIDAD

A fonte participou de um encontro entre empresários e executivos do setor no Rio de Janeiro e um dos problemas apontados foi a falta de experiência de Paes de Andrade na área. Alguns dos presentes na reunião questionaram o fato de Paes de Andrade nunca ter trabalhado em nenhuma empresa de óleo e gás e não ter comandado uma companhia de grande porte, com milhares de funcionários e uma rotina de contratos bilionários.

Paes de Andrade é secretário de Desburocratização do Ministério da Economia e próximo do ministro Paulo Guedes. Vem sendo cotado para o cargo há algum tempo, mas não teria conseguido avançar devido a resistências do setor de óleo e gás.

PUBLICIDAD

Segundo seu currículo público, Paes de Andrade é formado em Comunicação Social pela Unip, pós-graduação em Administração por Harvard, nos Estados Unidos, e mestrado na mesma área pela Duke University, também nos EUA.

Dedicou a maior parte de sua carreira a empresas de tecnologia e já trabalhou em fundos de private equity. No governo Bolsonaro, antes de ser secretário de Guedes, foi presidente do Serpro, o Serviço de Processamento de Dados do governo federal.

PUBLICIDAD

Segundo o relato do empresário à Bloomberg Línea, a indicação de Paes de Andrade está sendo encarada como um remendo político até terminar o mandato do presidente Jair Bolsonaro. Já de pessoas próximas à Petrobras, o receio é que a indicação de Paes de Andrade se torne munição contra a empresa.

A oposição a Bolsonaro deve criticar a nomeação de alguém próximo a Guedes, mas sem currículo reconhecido para o posto. E internamente, o receio é que ele não tenha condições de se impor na empresa, dada sua falta de familiaridade com o setor e com a empresa.

O episódio é mais um capítulo da disputa política em torno da Petrobras. Na semana passada, o general Silva e Luna foi dispensado da presidência da empresa. O governo enviou à estatal sua lista de indicados para compor o conselho com o nome de Adriano Pires para CEO e Rodolfo Landim para presidente do conselho de administração. Ambos desistiram do convite alegando que suas atividades no setor privado os colocaria em situação de conflito de interesse, caso fossem para a Petrobras.

PUBLICIDAD

Com o impasse no comando da empresa, há articulações para que o general Silva e Luna seja mantido na presidência da Petrobras. A assessoria do general, no entanto, negou ter sido procurada com qualquer proposta e disse que continua com o processo de desligamento.

Veja também:

PUBLICIDAD

Petrobras pode ter ‘vácuo no comando’ com desistência de indicados

Petrobras: Governo trabalha para manter indicação de Adriano Pires como CEO

BrasilPetrobrasÚltimas BrasilPaulo GuedesBloomberg Línea
Pedro Canário

Pedro Canário

Repórter de Política da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero em 2009, tem ampla experiência com temas ligados a Direito e Justiça. Foi repórter, editor, correspondente em Brasília e chefe de redação do site Consultor Jurídico (ConJur) e repórter de Supremo Tribunal Federal do site O Antagonista.

PUBLICIDAD