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Petróleo: Preços não estão ‘nem perto’ do pico, diz membro da Opep

Com demanda chinesa em alta e o risco do petróleo russo ser retirado do mercado, preços podem atingir níveis “ainda não vistos”

Preços podem atingir níveis “ainda não vistos” se o petróleo e o gás russos forem completamente retirados do mercado
Por Salma El Wardany, Grant Smith y Mohammad Tayseer
08 de Junho, 2022 | 01:18 PM

Bloomberg — Os preços do petróleo não estão “nem perto” do pico, já que uma recuperação na demanda chinesa ameaça sobrecarregar o mercado global já pressionado, de acordo com informações dos Emirados Árabes Unidos, membro-chave da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

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Os comentários são um reconhecimento de que a decisão da semana passada da coalizão da OPEP+ de aumentar a produção não dará trégua aos consumidores diante do custo crescente da energia. A Opep está lutando para restaurar a produção conforme o planejado, com capacidade ociosa limitada de apenas alguns membros, de acordo com o ministro dos Emirados Árabes Unidos.

“Com o ritmo de consumo que temos, não estamos nem perto do pico porque a China ainda não retomou suas atividades por completo”, disse o ministro da Energia, Suhail Al-Mazrouei, durante uma conferência nesta quarta-feira (8) na Jordânia. “A China vai demandar mais consumo”, afirmou.

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Al-Mazrouei alertou que, sem mais investimentos em todo o mundo, a OPEP+ não pode garantir suprimentos suficientes de petróleo, ao passo que a demanda se recupera a todo o vapor no pós-pandemia. Os preços podem atingir níveis “ainda não vistos” se o petróleo e o gás russos forem completamente retirados do mercado, disse ele.

A Opep+ concordou na semana passada em abrir as suas “torneiras” de petróleo um pouco mais rápido nos próximos meses, durante o verão no Hemisfério Norte. Mas o modesto aumento de oferta equivale a apenas 0,4% da demanda global em julho e agosto e vem na esteira de meses de esforço para atingir as metas de produção.

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“Estamos atrasados em quase 2,6 milhões de barris por dia, e isso é muito”, disse Al Mazrouei.

Apenas a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos têm volumes significativos de capacidade de produção ociosa, mas isso é suficiente apenas para compensar uma parte da oferta criada pelas sanções à Rússia. “A situação não é muito animadora”, reforçou.

O secretário-geral da OPEP, Mohammad Barkindo, ecoou os comentários dos Emirados Árabes Unidos, enfatizando a falta de capacidade ociosa do grupo.

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“Com exceção de dois ou três membros, todos estão no limite”, disse ele à Bloomberg News, em uma conferência organizada pela RBC Capital Markets em Nova York. “O mundo precisa aceitar esse fato brutal.”

-- Com assistência de Antonio Di Paula

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– Esta notícia foi traduzida por Melina Flynn, Content Producer da Bloomberg Línea.

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