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Pico do IPCA deve reduzir inversão da curva de juros, prevê Goldman Sachs

Alívio da pressão inflacionária permitirá ao BC encerrar o ciclo de alta da Selic mais cedo do que os operadores preveem, segundo analistas

Operadores vinham reduzindo as apostas em um aperto mais agressivo pelo BC nas últimas semanas, em razão da redução do preço da energia
Por Felipe Saturnino
25 de Maio, 2022 | 04:12 PM

Bloomberg — O Goldman Sachs (GS) reafirmou a aposta na contramão do mercado nos juros futuros, ao prever que a operação finalmente começará a dar frutos conforme a inflação chega ao pico.

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O banco americano recomenda aos clientes que apostem aumento da inclinação da curva de juros, pois avalia que o alívio da pressão inflacionária permitirá ao Banco Central encerrar o ciclo de alta da Selic mais cedo do que os operadores preveem.

A posição do Goldman mira o spread entre as taxas de dois e cinco anos, que hoje está em torno de -90 pontos, depois de atingir a mínima recorde de -100 pontos em abril. Em janeiro, esse diferencial estava em -35 pontos.

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Desde o início do ano, a curva de juros futuros se tornou mais “invertida”, ou seja, com as taxas de curto prazo acima das mais longas, o que resultou em um spread negativo.

A dinâmica reflete as leituras de inflação acima do esperado, que levaram os operadores a precificar um ciclo mais longo de aperto monetário. O BC sinalizou outro aumento da Selic para junho.

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“Acreditamos que os dados de abril divulgados recentemente são provavelmente o pico da inflação ano a ano, um importante catalisador para que esse ‘trade’ se mova na direção certa”, disse Caesar Maasry, estrategista do Goldman Sachs, baseado em Nova York. “Nossa recomendação de aumento de inclinação foi emitida em janeiro, com desempenho inferior à média em fevereiro e praticamente estável desde o início de março.”

Os operadores vinham reduzindo as apostas em um aperto mais agressivo pelo BC nas últimas semanas, em razão da redução do preço da energia, com a bandeira verde adotada em abril, além de outras medidas do governo para conter o aumento dos preços ao consumidor. Alguns sinais “dovish” do diretor de política monetária do BC, Bruno Serra, também contribuíram para o movimento.

Na terça-feira (24), no entanto, as taxas deram uma guinada acentuada, com o anúncio do IPCA-15 de maio no teto das estimativas, o que fez a taxa de dois anos avançar 23 pontos, na maior alta desde 27 de janeiro. A curva DI agora precifica em 87 pontos base em aumentos adicionais das taxas em junho e agosto, de 71 pontos base em 23 de maio.

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