Internacional

Quem são os candidatos com chance na eleição colombiana

Apesar da retomada econômica do país, pesquisas mostram que os colombianos querem mudar o modelo econômico atual e os partidos tradicionais

Eleições na Colômbia estão sendo observadas de perto depois que Peru e Chile votaram em presidentes de esquerda nos últimos 12 meses, mostrando como as desigualdades agravadas pela pandemia estão abalando a política latino-americana
Por Matthew Bristow
29 de Maio, 2022 | 03:07 PM

Bloomberg — Os colombianos votam neste domingo (29) para presidente em uma eleição imprevisível que coloca um ex-guerrilheiro, um ex-prefeito conservador e um magnata dos negócios uns contra os outros em uma disputa que pode passar para um segundo turno no próximo mês.

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Apesar da forte recuperação econômica da pandemia e do aumento dos preços do petróleo, pesquisas mostram que os colombianos querem mudar o modelo econômico atual e os partidos tradicionais que lideram o país há décadas.

O favorito, Gustavo Petro, de 62 anos, aproveitou-se do desconforto dos eleitores com a pobreza e a desigualdade, que se agravaram durante a pandemia. O ex-guerrilheiro e ex-prefeito de Bogotá quer taxar os ricos, parar a exploração de petróleo e restaurar os laços com o governo socialista da Venezuela.

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Enquanto Brasil, México, Peru, Chile, Argentina e Venezuela elegeram líderes de esquerda em diferentes momentos de sua história, a Colômbia até agora só teve governos liderados por conservadores e liberais.

Espera-se que Petro ocupe o primeiro lugar, mas que não alcance a maioria. Nesse caso, o foco será em quem será seu adversário no segundo turno, em 19 de junho.

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Federico Gutiérrez, um ex-prefeito conservador de Medellín de 47 anos que defende o modelo de livre mercado do país, foi o principal rival de Petro durante a campanha. Ele promete combater o crime, aumentar os gastos com infraestrutura e investir na educação infantil.

Mas o recente aumento na popularidade de Rodolfo Hernández, um magnata da construção civil de 77 anos que foi prefeito da cidade de Bucaramanga, mostra que ele pode ultrapassar Gutiérrez. Para ganhar mais apelo nacional, ele lançou uma campanha de mídia social bem-sucedida que inclui vídeos do TikTok expondo a corrupção.

Além de seus comentários anticorrupção, pouco se sabe sobre o que Hernandez faria como presidente. Ele tampouco participou dos debates finais após o aumento de seus índices de aprovação.

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Os investidores não sabem ao certo qual será o resultado e os mercados não abrirão totalmente até terça-feira (31), já que segunda (30) é feriado na Colômbia e nos Estados Unidos.

As urnas estão abertas das 8h às 16h (no horário local) e os resultados são esperados logo em seguida. A base de apoio de Petro está concentrada entre os colombianos mais jovens e, como o voto não é obrigatório, não se sabe quantos deles irão votar.

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A Colômbia é aliada de longa data dos EUA e há anos recebe ajuda para combater o narcotráfico. Uma mudança nas alianças regionais em direção a vizinhos mais esquerdistas seria um desafio para o governo Joe Biden, que busca combater a influência da China e da Rússia na região.

A economia colombiana, dependente do petróleo, deve crescer 5,8% este ano, mais que o dobro da média regional de 2,5%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Ao mesmo tempo, a inflação está em 9,2%, a maior em 21 anos, apesar de o governo subsidiar fortemente os preços dos combustíveis.

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-- Com a colaboração de Andrea Jaramillo.

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