Internacional

Salários impulsionam inflação nos EUA, diz Summers

A estimativa de longo prazo do Fed para sua taxa básica, não corrigida pela inflação, é de cerca de 2,4%

Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro dos EUA
Por Chris Anstey
29 de Abril, 2022 | 06:14 PM

Bloomberg — O ex-secretário do Tesouro Lawrence Summers disse que o aumento dos salários representa um poderoso impulso à inflação nos EUA que reforça a necessidade de o Federal Reserve aumentar juros bem acima do nível que a maioria espera.

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“Devemos pensar em termos de inflação salarial ou de custo do trabalho como uma espécie de medida de ‘super-núcleo’ da inflação”, disse Summers no programa “Wall Street Week” da Bloomberg Television. “É difícil escapar da conclusão de que está em 5,5% ou mais.”

Summers falou depois que um relatório do governo na sexta-feira mostrou que o custo do trabalho no primeiro trimestre teve maior alta em dados comparáveis desde o início dos anos 2000. O índice subiu 1,4%, o terceiro avanço trimestral consecutivo de pelo menos 1%.

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Isso gera preços mais altos, pois as empresas cobram mais de seus clientes para compensar esses custos salariais, assim como os custos mais altos de matérias-primas.

O presidente do Fed Jerome Powell e seus colegas, que devem aumentar juros em meio ponto percentual na próxima semana, precisarão continuar ultrapassando a chamada taxa neutra, disse Summers, professor da Universidade de Harvard e colaborador pago da Bloomberg TV. Esse é o nível em que a taxa não estimula nem restringe a economia.

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“Para reduzir a inflação, você precisa aumentar as taxas de juros reais acima do nível neutro”, disse Summers. Portanto, se a inflação estiver entre 3% e 4% e a taxa real neutra estiver em 0,5 ponto percentual, “você terá que atingir a faixa de 4,5 a 5 para reduzir significativamente a inflação”, disse ele.

A estimativa de longo prazo do Fed para sua taxa básica, não corrigida pela inflação, é de cerca de 2,4%. Autoridades do Fed projetaram aumentar a taxa básica até cerca de 2,8% no próximo ano, mantendo-a até 2024. A taxa é atualmente uma faixa de 0,25% a 0,5%.

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