Negócios

SPAC gera uma das maiores implosões de fortuna do mundo

Declínio de 94% de patrimônio líquido é a maior perda de riqueza de qualquer pessoa fora da China que estava no Bloomberg Billionaires Index no ano passado

Colapso de Sverdlov serve de alerta para como os SPACs podem passar de um meio de criação de riqueza para um meio de destruição
Por Scott Carpenter
17 de Maio, 2022 | 05:54 PM

Bloomberg — A máquina de fusões que criou algumas das maiores novas fortunas do mundo também é responsável por uma das maiores implosões de riqueza.

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O fundador da Arrival Denis Sverdlov, com fortuna avaliada em US$ 11,7 bilhões há um ano, perdeu seu status de bilionário no mês passado, quando as ações da fabricante de veículos elétricos despencaram após sua fusão com uma empresa de propósito específico para aquisição, ou SPAC.

O declínio de 94% em seu patrimônio líquido é a maior perda de riqueza de qualquer pessoa fora da China que estava no Bloomberg Billionaires Index no ano passado, superando inclusive a queda de 90% de Ernie Garcia III da Carvana.

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Apenas os bilionários chineses de tecnologia educacional Zhang Bangxin e Larry Chen, que perderam 96% e 99% de suas fortunas, respectivamente, em meio à repressão na indústria no país, registraram quedas percentuais maiores.

O colapso de Sverdlov serve de alerta para como os SPACs - uma manobra financeira que cresceu nos últimos anos - podem passar de um meio de criação de riqueza para um meio de destruição.

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Mesmo alguns bancos que ajudaram a criar o mercado de SPACs agora os rejeitam por preocupações com riscos. O Goldman Sachs (GS) e o Bank of America (BAC) diminuíram seu envolvimento no setor.

Os SPACs, vistos como uma maneira de abrir capital sem alguns dos requisitos de divulgação de uma oferta inicial, atraíram todo tipo de investidores, celebridades e atletas. Este ano, até meados de maio, 66 SPACs arrecadaram apenas US$ 11,5 bilhões nas bolsas dos EUA, contra 317 que já haviam acumulado US$ 102 bilhões à essa altura em 2021, segundo dados compilados pela Bloomberg.

“A Arrival está lidando com o efeito da aura negativa das empresas de SPAC”, disse Susan Beardslee, analista principal da ABI Research.

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Um porta-voz da Arrival não quis comentar.

Um dos problemas de Sverdlov foi um empréstimo que ele recebeu no ano passado do Citigroup (C) com US$ 1,5 bilhão em ações da Arrival como garantia. Em abril, uma empresa controlada pelo ex-bilionário concedeu ao banco cerca de 5% de suas ações em troca de US$ 79 milhões, que ele usou para pagar o empréstimo.

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Um ex-vice-ministro russo, Sverdlov, 43, fundou a empresa com sede no Reino Unido em 2015 com dinheiro de uma fortuna anterior em telecomunicações.

Em 2020 ele investiu US$ 450 milhões na Arrival e, no ano seguinte, abriu o capital após a fusão com o CIIG Merger Corp., um SPAC liderado por Peter Cuneo, ex-CEO da Marvel Entertainment.

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