Mercados

Treasuries voltam a atrair quem busca proteção contra recessão

Investidores procuram se proteger contra o risco de que a economia caia em recessão e puxe o mercado acionário ainda mais para baixo

O yield das notas do Tesouro americano de dois anos atingiu quase 2,8% em 22 de abril e terminou a sexta-feira não muito abaixo desse nível
Por Denitsa Tsekova e Anchalee Worrachate
02 de Maio, 2022 | 02:55 PM

Bloomberg — Investidores atormentados por incertezas que querem evitar ações redescobrem um antídoto consagrado pelo tempo: títulos do governo americano.

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Isso pode parecer surpreendente, uma vez que o mercado de Treasuries foi atingido por perdas recordes este ano.

Mas com os rendimentos mais altos em anos, o Federal Reserve a caminho de aumentar juros agressivamente e crescimento vacilante no exterior, o dinheiro volta à medida que investidores procuram se proteger contra o risco de que a economia caia em recessão e puxe o mercado acionário ainda mais para baixo.

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Em abril, enquanto o S&P 500 caminhava para seu pior mês desde março de 2020, investidores retiraram US$ 27 bilhões dos maiores fundos negociados em bolsa (ETFs) focados em ações, segundo dados compilados pela Bloomberg. Ao mesmo tempo, colocaram US$ 6 bilhões nos maiores ETFs de títulos do governo americano.

A diferença entre esses fluxos não era tão grande a favor dos títulos desde pelo menos 2017.

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“Os yields estão em seus níveis mais interessantes há algum tempo”, disse Chris Iggo, diretor de investimentos da AXA Investment Managers. Ele aconselhou clientes a montar um “hedge contra o que ainda poderia ser uma reação mais significativa nos mercados de ações se o crescimento começar a vacilar em 2023”.

O fluxo para fundos de títulos do governo ocorre depois que recentes liquidações fizeram com que os rendimentos voltassem a níveis mais normais, dando aos investidores um motivo para comprar novamente.

O yield das notas do Tesouro americano de dois anos atingiu quase 2,8% em 22 de abril e terminou a sexta-feira não muito abaixo desse nível. Um ano atrás, quando o Fed ainda inundava os mercados com dinheiro, chegou a cair para 0,10%.

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A escala e a velocidade desse aumento de yield podem significar que o pior das perdas de valor dos títulos já passou. Embora o banco central dos EUA deva continuar a aumentar juros - inclusive no encontro de 4 de maio - os formuladores de política monetária estarão atentos a não atrapalhar a recuperação econômica.

Os traders até sexta-feira precificavam que a taxa básica do Fed atingirá um pico de cerca de 3,35% no próximo ano.

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“Em um cenário em que o Fed faz ainda mais do que isso, o mercado provavelmente vai supor um peso ainda maior no crescimento, o que significa que as taxas não necessariamente subirão muito mais”, disse Andrew Sheets, estrategista do Morgan Stanley, em entrevista.

Isso, efetivamente, pode ajudar a colocar um limite em quanto mais rendimentos de títulos podem subir. Na sexta-feira, os rendimentos tiveram alta após um aumento nos custos do emprego alimentar preocupações com a inflação. Mas eles permanecem abaixo dos picos vistos em abril.

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