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Alerta para Ambev? Gigante de cerveja na América Latina adverte sobre inflação

Chilena CCU, maior cervejaria do Chile, prevê moderação do consumo nos próximos meses diante de aumento dos preços

Antonio Cruz, chefe de novos negócios e planejamento estratégico das Cervecerías Unidas, gigante de cervejas do Chile
Por Valentina Fuentes e James Attwood
30 de Maio, 2022 | 04:58 PM

Bloomberg — A gigante de bebidas latinoamericana Cervecerias Unidas está testemunhando os primeiros sinais de destruição da demanda em meio à inflação mais alta desde a década de 1990.

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A CCU, como é conhecida a maior cervejaria do Chile e uma importante fornecedora de bebidas na região, estima que, embora o consumo tenha se mantido razoavelmente bem até agora, provavelmente será moderado nos próximos meses. É um alerta para outras gigantes como a Ambev (ABEV3).

“Espero que no segundo semestre deste ano o consumo seja um pouco mais restrito”, disse Antonio Cruz, chefe de novos negócios e planejamento estratégico, em entrevista em Santiago.

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As repercussões das interrupções na cadeia de suprimentos causadas pela pandemia e pela guerra na Ucrânia atingem produtores e consumidores em todo o mundo. A CCU não é exceção, com os custos subindo “fortemente” neste ano, disse Cruz. A inflação chilena é estimada em 9% neste ano, com o crescimento econômico desacelerando de 12% para 2,1%.

Até agora, as margens da empresa se mantiveram à medida que a companhia se esforça para compensar os custos crescentes de tudo, desde grãos a alumínio e vidro, com maior eficiência. A CCU conseguiu obter todos os insumos de que precisa, embora a preços elevados, disse Cruz.

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A onda de inflação não diminuiu o apetite do CCU por crescimento. A empresa controlada pela família mais rica do Chile busca construir sua presença na Argentina, na Bolívia, na Colômbia, no Paraguai e no Uruguai, embora tenha encontrado práticas restritivas em alguns mercados, disse ele.

Autoridades antitruste na Colômbia e no Uruguai emitiram recentemente resoluções contra a cervejaria nº 1 do mundo, a Anheuser-Busch InBev, por suposto abuso de posição dominante em resposta a reclamações da CCU. Nos últimos anos, as duas cervejarias estiveram envolvidas em uma batalha legal na Argentina e no Uruguai.

As atividades da AB InBev foram consideradas lícitas pelo Tribunal Superior colombiano, disse o grupo com sede em Leuven, na Bélgica, acrescentando que sua unidade Bavaria pretende continuar a cooperar com as autoridades.

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“Queremos competir em igualdade de condições e é isso que essas práticas excludentes não nos permitem fazer nesses outros países”, disse Cruz. “Nós olhamos para a questão com uma visão de longo prazo. Acreditamos que existem oportunidades. Esses tipos de obstáculos nos travam a curto prazo, mas queremos continuar procurando.”

O objetivo da CCU é crescer mais rápido no exterior do que no Chile.

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“Estamos sempre em busca de oportunidades no exterior, mas nossa estratégia é mais continuar consolidando nossa posição nos países onde já estamos”, disse Cruz.

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