Internacional

Bachelet elogia nova constituição que muitos no Chile rejeitam

Endosso da ex-presidente do Chile contrasta com o crescente pessimismo sobre a nova constituição

A ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, é entrevistada por Stephanie Flanders, da Bloomberg
Por Patrick Gillespie
18 de Maio, 2022 | 01:39 PM

Bloomberg — A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet lançou seu apoio à proposta de nova constituição no país e disse que gostaria de vê-la aprovada no referendo nacional de setembro, mesmo quando as pesquisas mostram um crescente nível de rejeição do projeto.

PUBLICIDAD

A nova carta, que está agora em revisão final, aborda questões que afligem a nação sul-americana em áreas como habitação, água, saúde e representação de comunidades indígenas, disse Bachelet à Stephanie Flanders da Bloomberg em entrevista no evento New Economy Gateway Latin America.

“Espero que seja aprovada. Acho que deveria ser aprovada”, disse Bachelet, que agora é alta comissária para direitos humanos das Nações Unidas. “Ela oferece um novo contrato social.”

PUBLICIDAD

O endosso de Bachelet, que tem grande influência no país onde foi chefe de estado por dois mandatos e também ministra da defesa e da saúde, contrasta com o crescente pessimismo sobre a nova constituição.

Após agitação social em massa, os chilenos deram apoio esmagador aos planos para acabar com a atual carta magna outorgada durante a ditadura sangrenta de 1973 a 1990. As pesquisas agora mostram mais eleitores com a intenção de votar não do que sim.

PUBLICIDAD

Em jogo estão as regras que transformaram o Chile em uma das economias mais ricas da região e queridinho de investidores globais. A nova carta exige a reformulação das leis que privatizaram a água, protegendo as geleiras da mineração e incorporando novas considerações na formulação de políticas do banco central.

Os relatores da nova constituição enfrentaram desafios em seus 10 meses de trabalho e agora devem redobrar os esforços para entrar em contato com os eleitores, disse Bachelet, 70, que também é médica. “Acho que um dos desafios que eles têm é conseguir se comunicar melhor com as pessoas”, disse.

O crescente ceticismo dos eleitores em relação à constituição coincide com a queda dos índices de aprovação do novo presidente do Chile, Gabriel Boric. O ex-líder de protesto estudantil de 36 anos tem se esforçado para oferecer soluções rápidas para problemas como segurança pública e economia em piora.

PUBLICIDAD

Em uma conversa com Boric há alguns meses, Bachelet disse que alertou que mudanças profundas exigirão tempo e que a paciência do eleitor se esgotará.

“Grandes expectativas nunca podem ser atendidas”, disse Bachelet. “Geralmente são expectativas irreais porque as pessoas querem mudanças em dois meses.”

PUBLICIDAD

Veja mais em bloomberg.com

Leia também

Chefe do BID vê janela para mais investimentos na América Latina

Últimas BrasilMichelle Bachelet
PUBLICIDAD