Internacional

EUA querem mais medidas democráticas de Maduro para aliviar sanções à Venezuela

‘Levantamento das sanções não vai melhorar a vida dos venezuelanos’, disse o diretor sênior do Conselho de Segurança Nacional do país

Maduro desistiu das negociações com grupos de oposição no ano passado com o objetivo de resolver as crises políticas e econômicas em curso na Venezuela
Por Patrick Gillespie e Erik Schatzker
19 de Maio, 2022 | 02:26 PM

Bloomberg — Um alto assessor do presidente Joe Biden rejeitou pedidos para que os EUA suspendam unilateralmente as sanções contra a Venezuela, dizendo que qualquer alívio deve ser acompanhado primeiro pela adoção de medidas mais democráticas pelo governo latino-americano.

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O levantamento unilateral das sanções à Venezuela não vai melhorar a vida dos venezuelanos”, disse o diretor sênior do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Juan Gonzalez, na quinta-feira (19), falando remotamente no New Economy Gateway Latin America da Bloomberg, na Cidade do Panamá. “O levantamento das sanções só vai encher os bolsos do regime.”

As declarações de Gonzalez ocorrem depois que o presidente do Panamá, Laurentino Cortizo, e a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, no mesmo evento desta semana, pediram que os EUA suspendessem suas sanções à nação latino-americana. O argumento deles é que, embora as sanções tenham punido cidadãos comuns que sofrem com alta inflação e escassez de alimentos, elas não afetaram o regime do presidente Nicolás Maduro.

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No entanto, Gonzalez, que este ano se encontrou com Maduro em uma rara visita a Caracas, disse que o alívio das sanções deve ser uma consequência do governo venezuelano permitir maiores liberdades políticas no país.

Maduro desistiu das negociações com grupos de oposição no ano passado com o objetivo de resolver as crises políticas e econômicas em curso na Venezuela. Representantes dos dois lados iniciaram nesta semana “conversas formais” para retomar as negociações políticas na Cidade do México.

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“As sanções, que foram implementadas pelo governo anterior, certamente estavam focadas na mudança de regime”, disse Gonzalez. “Nossa estrutura política em relação à Venezuela é simples: se houver um resultado negociado que leve a passos ambiciosos, irreversíveis e concretos em direção a eleições livres e justas”, os EUA forneceriam alívio das sanções.

O governo Biden disse na terça-feira (17) que planeja permitir que a petrolífera norte-americana Chevron converse diretamente com o governo de Maduro, enquanto também permite que empresas europeias enviem petróleo venezuelano de volta à Europa imediatamente. A medida, vista como um primeiro passo para o afrouxamento das sanções, visa facilitar as negociações entre Maduro e a oposição apoiada pelos EUA.

Gonzalez também está se preparando para os EUA sediarem a Cúpula das Américas no início de junho, o maior encontro regional de chefes de estado. Como os líderes do México, Brasil e Argentina deram a entender que podem não comparecer à cúpula por diferentes razões, Gonzalez advertiu contra conclusões precipitadas.

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“Isso não é necessariamente verdade que eles não estarão lá”, disse Gonzalez. “Eu diria para esperar para ver quem aparece em 8 de junho.”

--Com a colaboração de Eric Martin e Fabiola Zerpa

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