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Exclusivo: CEO da Uber revela por que o Uber Eats deixou o Brasil

App de entregas enfrentou empresas locais como o iFood; para Dara Khosrowshahi, não há por que ficar em um país se não puder ser a plataforma vencedora

Dara Khosrowshahi, CEO da Uber (à direita), no evento BloombergTech em São Francisco: parceria com a Waymo em caminhões autônomos
08 de Junho, 2022 | 02:57 PM

São Francisco — São Francisco - O CEO da Uber (UBER), Dara Khosrowshahi, disse que a plataforma não conseguiu vencer os players locais da América Latina para delivery de comida, o iFood e a Rappi, no Brasil. “Vimos que não poderíamos ser o maior player no Brasil. Então, se não for para ser o primeiro, decidimos sair e focar em outros mercados”, disse Khosrowshahi, em conversa com a Bloomberg Línea durante o Bloomberg Tech Summit realizado nesta quarta-feira (9) em São Francisco, nos Estados Unidos.

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Em outros mercados como nos Estados Unidos, o Uber Eats tem um aplicativo sozinho e também funciona com uma integração com a plataforma principal de corridas. No Brasil, a operação do Uber Eats foi encerrada em março deste ano.

Segundo Khosrowshahi, a Uber não vê sinal de recessão na maior economia do mundo. Segundo ele, o serviço da empresa tem se beneficiado com o retorno da mobilidade.

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“Vimos recessões na América do Sul no passado e não vemos isso aqui, não há pessoas deixando a plataforma”, disse durante o evento. Segundo o executivo, a empresa tem visto um aumento na base de motoristas nos últimos meses, uma vez que eles se sentem seguros com a possibilidade de obter uma receita por meio da plataforma.

Em meio a uma onda de demissões em empresas de tecnologia e startups, na esteira do aumento de juros e da queda dos valuations, Khosrowshahi disse que não acredita que demissões sejam necessárias para a Uber, mesmo que as ações da empresa tenham caído cerca de 40% neste ano.

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“Devemos ser mais cautelosos com o cenário. Temos uma estrutura que nos dá vantagem em relação aos outros competidores. Temos entregadores, motoristas”, disse.

Questionado sobre o custo das corridas, Khosrowshahi disse que a inflação e o preço da gasolina estão afetando o ecossistema como um todo. Mas, segundo o CEO, o mercado irá se ajustar e as corridas ficarão mais baratas com o tempo.

Depois de um período de batalha judiciais com a Waymo, empresa de carros autônomos da Alphabet, a holding do Google (GOOG), a Uber anunciou uma parceria com a empresa para complementar a sua frota de caminhões nos Estados Unidos com caminhões autônomos da companhia.

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”Essa profunda parceria com a Waymo nos permitirá ter acesso a uma malha de milhões de quilômetros e a Waymo poderá se integrar com a rede da Uber de forma simples. A parceria traz demanda de frete. Se acontecer que o motorista do caminhão seja um software, nós também queremos isso”, afirmou.

É mais um esforço da Uber em direção aos carros elétricos. Nos Estados Unidos, os motoristas que usam veículos elétricos ganham mais com as corridas. A remuneração que vem da margem da Uber. “Os números de motoristas de Uber usando Teslas estão subindo”, disse o CEO.

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Khosrowshahi contou que não tem a mesma postura de Musk para cobrar o retorno dos funcionários para o escritório. “Não como o Elon. Nós acreditamos na flexibilidade do 50-50″, disse, em referência a um modelo híbrido em que os funcionários podem equilibrar o trabalho em casa e no escritório.

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Isabela Fleischmann

Isabela Fleischmann (ES)

Periodista brasileña especializada en cubrir tecnología, innovación y startups

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