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Ibovespa recua e dólar volta a subir com temor de Fed agressivo com juros

After Hours: Investidores reagiram aos comentários da governadora do Fed, Lael Brainard, sobre redução do balanço patrimonial em ritmo acelerado

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05 de Abril, 2022 | 05:46 PM

Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) recuou e o dólar (USDBRL) voltou a subir nesta terça (5) após três dias seguidos de baixa, retomando o patamar de R$ 4,66 em linha com a valorização internacional da moeda americana após a governadora do Federal Reserve, Lael Brainard, dizer que o banco central americano elevará os juros de forma metódica e reduzirá o balanço patrimonial em ritmo acelerado já a partir de maio.

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As afirmações de Brainard se somaram a uma possível proibição do carvão russo pela União Europeia e tiveram forte impacto nos rendimentos dos Treasuries de diferentes vencimentos. As taxas dos títulos do Tesouro dos EUA de dez anos (GT10) dispararam 16 pontos base e atingiram 2,56%, o maior patamar em três anos, com a visão de um Fed mais agressivo na política monetária nos próximos meses.

O movimento teve repercussão nas taxas dos títulos públicos em todos o mundo.

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  • No Brasil, a taxa do contrato de DI para janeiro de 2023, que reflete a política monetária neste ano, saltou 9,5 pontos e atingiu 12,715%. Já a taxa para janeiro de 2025 subiu 24 pontos e bate em 11,335%.
  • Nos EUA, o índice S&P 500 (SPX) aprofundou o ritmo de perdas e terminou o dia com baixa de 1,3% liderado pela queda das ações de tecnologia e de produtos discricionários de consumo.
  • O Nasdaq 100 (NDX), referência em tecnologia, desabou 2,2% mesmo com a alta de 2% das ações do Twitter (TWTR) após a informação de Elon Musk vai integrar o conselho da empresa. Na véspera, os papéis tinha subido 27%.

O Ibovespa perdeu o patamar de 120 mil pontos e terminou o pregão marcando 118.885 pontos, com baixa de 1,97%, puxado pelas perdas de quase 3% da Vale (VALE3), mesmo com os ganhos do minério de ferro. Também pressionaram o índice as baixas nas ações de Petrobras (PETR3; PETR4) e Itaú Unibanco (ITUB4).

No exterior, o sentimento continua sendo de maior aversão ao risco, após a União Europeia afirmar que está considerando a proibição do carvão russo – o que aumenta a pressão sobre Moscou pela invasão da Ucrânia. A Rússia fornece cerca de metade do carvão térmico do continente, utilizado para alimentar centrais elétricas e gerar eletricidade.

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Para esta quarta, os investidores esperam a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve. A expectativa é que o documento sinalizará a rapidez com que o banco central dos EUA aumentará as taxas e reduzirá suas participações em títulos. O ressurgimento da covid-19 na Europa e na Ásia e os novos lockdowns na China também estão obscurecendo as perspectivas de crescimento global.

Confira o fechamento dos mercados nesta terça-feira (5):

-- Com informações de Bloomberg News

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Mariana d'Ávila

Mariana d'Ávila

Redatora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.

Toni Sciarretta

Toni Sciarretta

News director da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista com mais de 20 anos de experiência na cobertura diária de finanças, mercados e empresas abertas. Trabalhou no Valor Econômico e na Folha de S.Paulo. Foi bolsista do programa de jornalismo da Universidade de Michigan.

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