Mercados

Petróleo surpreende, fica abaixo de US$ 100 e apaga ganhos com guerra

Governo dos EUA e seus aliados planejam injetar mais barris no mercado para sancionar Rússia

Preços estão 25% mais altos no acumulado do ano
Por Paul Burkhardt
08 de Abril, 2022 | 10:33 AM

Bloomberg — O petróleo caminhou para um recuo semanal consecutivo com os planos de liberação de estoques, um surto de coronavírus que minou a demanda na China – principal importador – e uma guinada agressiva do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos.

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O West Texas Intermediate ficou em torno de US$ 97, com queda de cerca de 2,1% no preço esta semana. A queda recente significa que a referência dos EUA agora perdeu a maioria dos ganhos aferidos desde que a Rússia invadiu a Ucrânia no final de fevereiro.

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Alarmados com o aumento nos custos de energia impulsionado pelo ataque de Moscou, Washington e seus aliados anunciaram planos para vender quase 250 milhões de barris de reservas estratégicas de petróleo. Com o movimento apoiado pela França, Reino Unido e outros, os spreads de tempo outrora elevados despencaram.

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As liberações de estoques globais medidas podem ser usadas “como uma oportunidade para sancionar o petróleo bruto russo explicitamente por parte da União Europeia, dos EUA, Japão e Coréia do Sul, sem elevar o preço do petróleo, levando a um problema econômico real para a Rússia”, disse Bjarne Schieldrop, analista-chefe de commodities da SEB AB em Oslo. Inundar o mercado com petróleo para derrubar o preço “é, claro, outra opção, embora muito imprevisível”, disse ele.

Os preços do petróleo – que permanecem em alta de mais de 25% no acumulado do ano – também foram prejudicados este mês depois que a China ordenou uma série de lockdowns nos principais centros urbanos, incluindo Xangai, para conter um surto de coronavírus. Ao mesmo tempo, os planos do Fed para um aperto agressivo da política monetária dos EUA para combater a inflação reduziram a demanda por ativos de risco e impulsionaram o dólar.

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Preços

  • O West Texas Intermediate para entrega em maio subiu 1,2%, chegando a US$ 97,16 o barril na Bolsa de Valores Mercantis de Nova York.
  • O Brent para liquidação de junho ficou 1% mais alto em US$ 101,61 o barril na bolsa ICE Futures Europe.

Embora muitas empresas ocidentais estejam evitando o petróleo russo após a invasão, há muitos compradores na Ásia, principalmente na China e na Índia. As cargas de petróleo russo Sokol do Extremo Oriente esgotaram para o próximo mês.

Os mercados de petróleo continuam em backwardation – padrão bullish marcado por preços de curto prazo negociados acima dos de longo prazo – mas os diferenciais entraram em colapso. O spread imediato do Brent – a diferença entre seus dois contratos mais próximos – despencou para US$ 0,66 o barril em backwardation – há duas semanas, o valor era mais de US$ 3.

O mais recente surto de coronavírus da China não mostra sinais de diminuir, afetando a maior economia da Ásia. As cidades estão enfrentando severas medidas que restringem a mobilidade e o consumo de energia.

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--Com a colaboração de Ben Sharples, Ranjeetha Pakiam e Sarah Chen.

--Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

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