Saúde

Surto de ebola no Congo sugere cepa mais virulenta

Primeiro sintoma foi a perda aguda de sangue, em comparação com fadiga e febre em surtos anteriores

Comunidade afetada reluta em fazer testes e receber vacinas
Por Anthony Sguazzin y Janice Kew
19 de Maio, 2022 | 12:23 PM

Bloomberg — A cepa do vírus Ebola que matou todas as três pessoas que o pegaram na República Democrática do Congo desde abril pode ser mais virulenta, de acordo com uma organização sem fins lucrativos que administra três centros de tratamento no país.

PUBLICIDAD

Uma perda aguda de sangue foi o primeiro sintoma observado em todos os três pacientes relatados na remota província de Equateur, no noroeste do Congo, disse Baweye Mayoum Barka, o novo chefe da missão no país da Aliança para a Ação Médica Internacional. Isso é diferente dos casos vistos durante os dois surtos anteriores, nos quais a maioria começou com febre ou fadiga e apenas cerca de 15% dos pacientes tiveram hemorragia, disse ele.

O sequenciamento genético do vírus responsável pelo surto mais recente indica que é diferente da cepa que provocou epidemias maiores em 2018 e 2020, disse Mayoum Barka. Esses surtos adoeceram cerca de 180 pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde.

PUBLICIDAD

Quase 300 pessoas que estiveram em contato com os casos mais recentes estão sendo monitoradas quanto à infecção, disse o escritório da OMS na Região da África na terça-feira (17). O primeiro paciente, um homem de 31 anos, desenvolveu sintomas em 5 de abril e morreu 16 dias depois em um centro de tratamento na cidade de Mbandaka. Apenas dois casos adicionais foram confirmados, sugerindo que a cepa é menos transmissível, disse Mayoum Barka.

ATUALIZAÇÃO: #Ebola na #RDC Relatório de Situação (17/05/22): 3 casos confirmados (3 falecidos), 295 contatos ativos, 809 vacinados, 1 zona de saúde afetada (Mbandaka)

PUBLICIDAD

Parece que, embora a taxa de reprodução seja bastante baixa, a virulência do vírus é muito alta”, disse ele em entrevista na quarta-feira (19).

A doença do vírus Ebola foi descoberta no Congo, o segundo maior país da África por área terrestre, em 1976. Até que vacinas e tratamentos ficassem disponíveis nos últimos anos, surtos com taxas de mortalidade de até 90% frequentemente causavam preocupação internacional.

Os surtos de ebola de 2018 e 2020 no Congo, os maiores da África subsaariana, resultaram em mortalidade de 50% a 60%, principalmente como resultado da perda de líquidos causada por diarreia aguda, disse Mayoum Barka.

PUBLICIDAD

Embora o surto atual pareça estar contido, os membros da comunidade afetada em Mbandaka relutam em fazer testes, com medo de serem solicitados a se isolar em uma instalação dedicada, disse Mayoum Barka. Isso está dificultando os esforços de vigilância de doenças, assim como a hesitação para se vacinar deixa mais pessoas vulneráveis à infecção, disse.

Cerca de 22 contatos foram identificados como casos suspeitos de ebola até 15 de maio. Desses, seis morreram antes de serem testados e 16 se recusaram a ser isolados e ainda estão na comunidade, disse ele.

PUBLICIDAD

“Precisamos remover o pensamento de que um centro de isolamento é um centro mortuário”, disse ele. “Isso complica muito a resposta.”

Pouco mais de 800 pessoas de uma população regional de cerca de 340 mil pessoas foram vacinadas, em comparação com dezenas de milhares em surtos mais recentes.

PUBLICIDAD

--Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

Veja mais em Bloomberg.com

PUBLICIDAD

Leia também

Casos de covid na China têm tendência de queda, mas lockdowns permanecem

EUA vão entrar em recessão? Goldman Sachs e JPMorgan acham que talvez não

Últimas BrasilÁfricaCongo
PUBLICIDAD