Mercados

Turbulência nos yields ameaça voltar após mensagem dovish do Fed

Banco Central dos Estados Unidos decidiu aumentar em 0,5 pp a taxa de juros e tem meta de inflação neutra entre 2% e 3%

Executivo acredita que Powell acabou tendo atitude dovish
Por Liz McCormick e Michael MacKenzie
05 de Maio, 2022 | 03:10 PM

Bloomberg — O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, enfrentou as previsões mais agressivas do mercado para a trajetória das taxas de juros na quarta-feira (4), o que desencadeou uma onda de reação dovish nas bolsas e nos títulos.

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Mas ao jogar água fria na perspectiva de uma alta de 0,75 ponto percentual no próximo mês, ele pode ter inadvertidamente preparado o cenário para mais turbulência à frente se as pressões inflacionárias aumentarem. Os yields dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos avançam nesta quinta-feira (5).

O Fed estava “tentando enviar uma mensagem de expectativas sustentadas para aumentos de 0,50 pp”, mas “involuntariamente deu uma mensagem muito dovish”, disse Jeffrey Rosenberg, gestor sênior de portfólio da BlackRock (BLK), à Bloomberg Television.

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Isso já está levando alguns observadores do mercado a se perguntarem por quanto tempo o Fed pode manter essa abordagem.

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Por enquanto, operadores voltaram firmemente a precificar uma alta de meio ponto para junho - em linha com os comentários de Powell de que vários desses aumentos estão na mesa para as próximas reuniões do Fed.

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Powell surpreendeu alguns, incluindo Rosenberg, ao dizer que o Fed considera uma taxa neutra entre 2% e 3%.

Na sexta-feira (6), serão divulgados os números do mercado de trabalho dos EUA, o Payroll, e as atenções dos investidores devem se concentrar na evolução dos salários. O governo anuncia na próxima semana uma nova rodada de dados de índices de preços ao consumidor. O efeito da guerra na Ucrânia e dos lockdowns por covid na China podem adicionar novas preocupações, especialmente depois que o Fed enfatizou na quarta-feira os impactos inflacionários de ambos.

O Fed pode acabar com um “resultado estagflacionário” se os choques de oferta aumentarem ainda mais as pressões de preços e isso “os colocar em um beco sem saída” onde continuam apertando e prejudicando a demanda, disse Dec Mullarkey, diretor da SLC Management.

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“O Fomc ainda pode mudar de ideia se as circunstâncias o justificarem”, escreveu Roberto Perli, chefe de política global da Piper Sandler, em uma nota com seu colega Benson Durham. “Não ficaríamos surpresos se a ideia de 0,75 pp ressurgisse, como uma contingência no caso de a inflação continuar surpreendendo com aumentos.

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