Internacional

Colômbia elege novo presidente em meio à polarização e turbulência social

Pela primeira vez, um candidato de esquerda lidera as pesquisas e tem chance de vencer a eleição no país

A pesquisa mais recente do instituto Invamer coloca Gustavo Petro (esquerda) com 40,6% das intenções de voto, enquanto Federico Gutiérrez obteria 27,1% e Rodolfo Hernández 20,9% – os dois de centro-direita
29 de mayo, 2022 | 12:10 PM
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Bogotá — Mais de 39 milhões de colombianos são esperados na eleição do novo presidente do país, que ocorre em meio a um ambiente de alta polarização, desconfiança do processo após as inconsistências apresentadas nas eleições legislativas e à sombra do ressurgimento da violência em alguns territórios.

A Colômbia entra na reta final do primeiro turno das eleições presidenciais e todas as pesquisas apontam liderança do ex-prefeito de Bogotá e líder do Pacto Histórico, Gustavo Petro. É a primeira vez que um candidato de esquerda lidera o processo.

A pesquisa mais recente do instituto Invamer coloca Petro com 40,6% das intenções de voto, enquanto Federico Gutiérrez obteria 27,1% e Rodolfo Hernández 20,9% – os dois de centro-direita. A votação se estende até as 16h (18h em Brasília).

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O país está altamente polarizado e ainda se reflete o descontentamento social que levou a protestos maciços contra o governo do atual presidente, Iván Duque, e uma reforma tributária fracassada em meio à crise do coronavírus. Segundo ONGs de direitos humanos, foram registradas 84 mortes no auge dos protestos.

Questões como a reativação econômica, que tem sido ofuscada pela alta inflação que assola o país, o recrudescimento da violência e o cumprimento dos pontos do acordo de paz assinado em 2016 que resultou na deposição de armas da guerrilha de esquerda FARC serão decisivos nestas eleições.

Uma reforma tributária iminente, assim como mudanças no modelo previdenciário, certamente farão parte da agenda do novo presidente da Colômbia.

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O ambiente político

39 milhões de eleitores habilitadosdfd

As últimas semanas que antecederam as eleições foram marcadas pelas denúncias de Gustavo Petro sobre um suposto plano do governo de “suspender os órgãos que dirigem o regime eleitoral na Colômbia” poucos dias antes das eleições.

A este respeito, o presidente colombiano, Iván Duque, afirmou no domingo passado que “ninguém pode pensar que as eleições vão ser suspensas ou que vão haver golpes de Estado” e defendeu que a Colômbia tem “uma das democracias mais antigas na América Latina, instituições fortes e sólidas”.

As dúvidas sobre a independência do órgão eleitoral colombiano reapareceram no debate realizado pelo jornal El Tiempo e a revista Semana, dois influentes veículos de comunicação do país, com Petro voltando a insistir que há dúvidas sobre a imparcialidade da instituição.

Violência

As eleições também acontecem em um cenário de recrudescimento da violência que se manifestou nos últimos dias com reações do Clã del Golfo após a extradição para os Estados Unidos do narcotraficante Dairo Antonio Úsuga, vulgo Otoniel.

As ações violentas, que incluíram intimidação da população, queima de veículos e fechamento de rodovias, paralisaram vários municípios dos departamentos de Antioquia, Córdoba e Chocó.

A Fundação Paz & Reconciliação (Pares) contabilizou ao menos 145 atos de violência em 77 cidades do país, incluindo 22 assassinatos, 21 ataques a estabelecimentos, 91 ataques a meios de transporte, três confrontos armados, entre outros.

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“Com este ataque armado, o Clã del Golfo expôs a magnitude de sua presença territorial nas áreas do noroeste do país e na costa atlântica, onde se estabeleceu como o ator armado hegemônico”, informou a entidade.

(Este texto foi traduzido e adaptado por Graciliano Rocha)

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