Internacional

Investidores fogem da China temendo controversas com Rússia

Amizade do presidente Xi Jinping com o líder russo Vladimir Putin tornou os investidores mais desconfiados da China

Medidas europeias tomadas contra a Rússia mostram que fortes laços comerciais não são garantia de segurança diplomática
Por Sofia Horta e Costa e Tania Chen
18 de abril, 2022 | 05:40 pm
Tiempo de lectura: 2 minutos

Bloomberg — Uma lista crescente de riscos está transformando a China em uma potencial encrenca para investidores globais.

A questão central é o que pode acontecer em um país disposto a se desdobrar para alcançar os objetivos de seu líder. A amizade do presidente Xi Jinping com o líder russo Vladimir Putin tornou os investidores mais desconfiados da China, e uma narrativa de homem forte ganha impulso à medida que o Partido Comunista persegue obstinadamente uma estratégia Covid-Zero e campanhas imprevisíveis para regular indústrias inteiras.

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Com isso, alguns investidores internacionais estão achando uma alocação agressiva na China cada vez mais difícil de sustentar. As saídas dos mercados de ações, títulos e fundos do país se aceleraram após a invasão da Ucrânia pela Rússia, e o fundo soberano da Noruega de US$ 1,3 trilhão rejeitou uma gigante chinesa de roupas esportivas devido a preocupações sobre abusos de direitos humanos.

Os fundos de private equity em dólar que investem na China levantaram apenas US$ 1,4 bilhão no primeiro trimestre - o valor mais baixo desde 2018 para o mesmo período. Nesta segunda-feira (18), dados econômicos melhores que o esperado suscitaram dúvidas de analistas que apontaram inconsistências com estatísticas alternativas que pintam um quadro mais sombrio da economia.

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A escala e a velocidade das sanções impostas à Rússia forçaram a repensar o posicionamento do ocidente em relação à China, de acordo com Simon Edelsten da Artemis Investment Management. Sua equipe na gestora de recursos de US$ 37 bilhões vendeu todos os seus investimentos na China no ano passado após as intervenções de Pequim em listagens de alto perfil como Didi Global e Ant Group, dizendo que tais movimentos ameaçavam os direitos dos acionistas.

A retórica mais assertiva da China em torno de Hong Kong e as reivindicações de soberania no Mar do Sul da China também deixaram a equipe de investimentos desconfortável, disse Edelsten.

Os fatores políticos e de governança devem agora definir um tom cauteloso, especialmente para compromissos de longo prazo”, disse Edelsten, acrescentando que as medidas europeias tomadas contra a Rússia mostram que fortes laços comerciais não são garantia de segurança diplomática.

“A invasão da Ucrânia aumenta muito esses riscos e nossos fundos provavelmente permanecerão com um peso muito baixo na China por alguns anos”, acrescentou.

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Brendan Ahern, diretor de investimentos da Krane Funds Advisors, descreve “venda indiscriminada e insensível ao preço” de ações chinesas por investidores internacionais no último ano.

As ações regulatórias de Pequim “pareceram um ataque às empresas mais respeitadas e amplamente controladas por estrangeiros”, disse ele, enquanto as sanções à Rússia levantaram a preocupação de que o mesmo possa acontecer com a China. Sua empresa - que administra fundos negociados em bolsa com foco na China - está substituindo ações chinesas listadas nos EUA por aquelas negociadas em Hong Kong para reduzir o risco.

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